Próximo das eleições, Irã se enche de conversas hostis

TEERÃ ¿ Os candidatos que lideram estão acusando uns aos outros de corrupção, suborno e tortura. A mulher do opositor mais forte do presidente Mahmoud Ahmadinejad ameaçou processá-lo por difamá-la. E toda noite, partes da capital se enchem de gritaria, bêbados tocando buzinas e centenas de jovens dançando e brigando nas ruas até o amanhecer.

The New York Times |

Reuters

Ruas ficam cheias de papéis de campanha com aproximação de eleições

A campanha presidencial, em sua última semana, alcançou um nível de paixão e hostilidade quase nunca visto no Irã.

Em parte, isso parecer ser devido à explosão de uma energia na campanha de Mir Hussein Moussavi, um reformista com maior probabilidade de derrotar Ahmadinejad na eleição, marcada para sexta-feira.

Os comícios de Moussavi chamaram a atenção de toneladas de milhares de pessoas nos últimos dias e uma nova pesquisa não oficial mostrou que seu apoio cresceu acentuadamente, com 54% dos questionados dizendo que votariam nele, comparados com os 39% que preferiram Ahmadinejad.

Mas muitos iranianos dizem que o tom rude da campanha se deve amplamente aos ataques retóricos inesperadamente violentos de Ahmadinejad, que enfureceram seus rivais e seus partidários, atraindo respostas agressivas.

Essa campanha é um divisor de águas na história do Irã, disse Sadegh Zibakalam, um analista político da Universidade de Teerã. Tivemos debates antes, mas nada como esse. Ahmadinejad está acusando a todos de corrupção ¿ ele basicamente está dizendo o mesmo que os contrarrevolucionários dizem.

Debates

Muitos dizem que o debate, que ocorreu na última quarta-feira e foi televisionado a todo o país, teve um momento crítico quando o presidente iniciou ataques furiosos contra Moussavi. Ahmadinejad parecia não poupar ninguém, acusando seus oponentes conservadores e liberais de serem corruptos.

Mas o golpe mais chocante, para alguns espectadores, foi quando ele segurou um documento com uma pequena foto da mulher de Moussavi, Zahra Rahnavard e pergitou a ele em um tom irônico: você conhece essa mulher?. Então Ahmadinejad acusou Rahnavard ¿ um professor respeitado de ciências políticas ¿ de entrar no programa de graduação sem fazer o exame de admissão e outras violações inferiores das políticas da universidade.

Houve outros ataques violentos pessoais e políticos no debate, incluindo a afirmação do Moussavi de que a política exterior de Ahmadinejad foi baseada em irresponsabilidades, ilusionismos, exibicionismo, extremismo e superficialidade.

Mas o ataque à Rahnavard pegou no ponto fraco. Ela passou a ter um papel público incomum na campanha de seu marido e muitos liberais iranianos temeram que o ataque de Ahmadinejad fosse um sinal para esforços maiores para evitar papéis públicos femininos.

Neste domingo, um Rahnavard visivelmente bravo participou de uma coletiva de imprensa na qual ela ameaçou entrar com um processo caso Ahmadinejad não se desculpasse em 24 horas.

A forma como o presidente me insultou foi um insulto para todo mundo, disse Rahnavard, enfatizando repetidamente suas próprias credenciais islâmicas enquanto falava diante uma sala cheia de jornalistas. Aqueles que arrumaram esse caso contra mim queriam dizer que é um crime uma mulher estudar, conseguir duas graduações, se tornar uma intelectual ou uma artista.

Ela também agradeceu Mehdi Karroubi, outro candidato à presidência, por defendê-la durante seu próprio debate injurioso com Ahmadinejad, na noite de sábado.

A explosão insurgente pareceu ter invadido a vida cotidiana, na qual muitas pessoas se sentem encorajadas a fazer críticas que, de modo geral, não ousariam fazer em voz alta.


Por ROBERT F. WORTH


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