Protestos frequentes complicam trânsito no México

Como capital do país não regulamenta protestos, manifestantes estão livres para bloquear movimento dos carros nas ruas

The New York Times |

Quase todos os dias, motoristas paralisados por manifestantes que marcham pelas avenidas da Cidade do México acreditam que o lema da cidade zomba deles.

"Capital en Movimiento" (Capital em Movimento, em tradução livre) é o que declara a cidade, ao lado de um desenho do seu principal marco, o Anjo da Independência.

Em muitos dias, porém, esta capital não se move. Como a cidade não regulamenta protestos, os manifestantes estão livres para bloquear o tráfego sempre que quiserem.

Apenas nos primeiros três meses deste ano, foram 740 manifestações nas ruas da Cidade do México, uma média de oito por dia - e o governo gosta de ressaltar que este número é uma melhoria em relação ao ano passado, quando houve mais de nove passeatas por dia.

© AP
Integrante do sindicato dos eletricistas protesta no centro da Cidade do México (16/07)

As passeatas diárias podem parecer um sinal de uma democracia vibrante, a prova de uma riqueza de ideias e a oportunidade de expressá-las. Mas elas também obedecem as coreografadas regras de engajamento estabelecidas durante os anos 1970 sob um governo de partido único, o Partido Revolucionário Institucional, conhecido como o PRI.

"Por muitos anos, o sistema político era muito fechado, mas não era autoritário", disse Garcia Ochoa. "Durante 70 anos do PRI, os protestos eram permitidos desde que você não ameaçasse a sua permanência no poder".

Uma década se passou desde que os partidos da oposição acabaram com o monopólio político do PRI, mas a ideia de que a melhor maneira de chamar a atenção das autoridades é impedir o tráfego permanece enraizada na cultura política do México.

Este mês, o prefeito Marcelo Ebrard finalmente perdeu a paciência. Depois que trabalhadores demitidos do setor de eletricidade bloquearam o tráfego durante um dia inteiro na principal artéria norte-sul, a Avenida Insurgentes, ele disse que os líderes sindicalistas precisam entender que os moradores da cidade "não deveriam sofrer".

"Estou farto dessas passeatas", disse German Nieto Luna, motorista de táxi há 16 anos. No dia do fechamento da Avenida Insurgentes, Nieto disse que estava levando um jovem para uma entrevista de emprego e ele caiu em lágrimas quando ficou claro que iria perder a hora.

O Primeiro Superintendente da Polícia, Dario Chacon Montejo, encarregado da segurança dos protestos, disse que não há nada que possa fazer.

"Todo mundo tem o direito de protestar", disse. "Em que ponto os direitos dos manifestantes acabam e os direitos de quem quer chegar em casa começam?" ele perguntou. "Infelizmente o grande ponto de interrogação permanece".

Por Elisabeth Malkin

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