Protesto pacífico e combates sangrentos marcam domingo iraquiano

BAGDÁ - A disputa entre o clérigo Muqtada al-Sadr e o governo iraquiano ficou clara no domingo nas ruas da capital do distrito de Sadr, onde uma manifestação pacífica de membros do parlamento aconteceu a poucos quarteirões de combates sangrentos.

The New York Times |

Algumas horas depois, milicianos xiitas tiraram vantagem de uma enorme tempestade de areia que envolveu a cidade e manteve aeronaves americanas no chão para atirar dezenas de morteiros contra a Zona Verde, casa da embaixada americana e de muitas autoridades iraquianas.

A mistura de protesto pacífico e ataques armados é característica da disputa por vantagem política entre o movimento de Sadr e o governo. Em risco está o resultado das eleições distritais que se aproximam, nas quais os partidos xiitas e o governo devem perder lugar para os defensores de al-Sadr.

Por enquanto, membros do Parlamento de diversos partidos - menos dos blocos xiitas rivais a al-Sadr - parecem estar tentando transcender a luta por poder e se concentrar nas terríveis condições de vida dos moradores de cidade de Sadr, empobrecida região onde as combates têm acontecido há mais de um mês entre milícias e tropas norte-americanas e iraquianas.

"A diferença dessa delegação é que ela é composta por todo tipo de iraquianos", disse Azzad Barbani, membro do Parlamento pelo Partido Democrático Kurdistan, um dos 40 legisladores que participaram do protesto no domingo.

"A situação é tão ruim", ele disse, acrescentando, "mas de um ponto de vista político, a solução é o diálogo, sem que precisemos nos livrar de nenhum bloco no Parlamento".

"Queremos resolver a situação pacificamente", disse Mustafa al-Heeti, membro sunita do Parlamento da província de Anbar que liderou a delegação no domingo.

Al-Heeti disse que o objetivo do protesto era exigir o fim do combate e retirada das forças na região. Ele disse ainda que o comitê de pessoas da região e outros membros do Parlamento esperam se encontrar com o primeiro-ministro Nuri Kamal al-Maliki para discutir suas preocupações.

Os moradores da cidade de Sadr, segundo ele, "são iraquianos. Eles são pessoas muito pobres com poucos serviços e a ação militar causou muitas perdas".

Al-Maliki disse que al-Sadr tem que aceitar quatro condições antes que o governo pare de lutar: entregar as armas pesadas; parar de combater as forças de segurança nacional; parar de ameaçar trabalhadores do governo; e entregar criminosos procurados. Mas no domingo, um secretário de al-Sadr em Najaf rejeitou os termos, acusando o governo de tentar resolver as diferenças políticas usando a força, relatou a Associated Press.

Qassim Atta, porta-voz do governo, disse em uma coletiva de imprensa que destinarão US$100 milhões em auxílio para a cidade de Sadr e forneceu uma lista dos serviços que a região irá receber. No entanto, ficou aparente que pouco se fez até então, principalmente porque os combates tornam a cidade um local perigoso para servidores públicos, mas também porque as autoridades permanecem ambivalentes sobre ajudar uma região cheia de inimigos.

As autoridades de al-Sadr, no entanto, não perderam tempo em tentar ajudar os moradores. Hazim al-Arraji, membro do Parlamento do bloco de al-Sadr, anunciou que as autoridades irão compensar as famílias que perderam um parente próximo nos combates e também irão pagar aqueles que se feriram.

Ainda que não tenha dito a exata quantia que será destinada a cada família, um repórter presente em um funeral na cidade de Sadr disse que a família recebeu meio milhão de dinares iraquianos, cerca de US$425, de uma autoridade municipal. Pessoas seriamente feridas aparentemente estão recebendo US$200 e com ferimentos menores US$110. Serviços fúnebres, que incluem três dias de velório nos quais os amigos e parentes devem receber comidas e bebidas, também estão sendo pagos pelas autoridades.

Em Nasiriya, no sul do Iraque, onde também há combates entre defensores de al-Sadr e tropas do governo, um bloco de parlamentares que o representa fez uma visita formal e escreveu um memorando a respeito dos dois lados. Em uma coletiva de imprensa neste domingo, um dos legisladores de al-Sadr, Akram Fawzi disse: "O objetivo dessa visita é resolver os problemas de Nasirya. Essa e uma fase excepcional e pode terminar com cooperação de diferentes grupos na província".

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