Proteção do serviço secreto pode isolar Romney na campanha

Ao adotar medida de segurança, pré-candidato republicano à presidência dos EUA pode ficar mais distante de eleitores e imprensa

The New York Times |

A maioria das campanhas tem um momento crucial, como o discurso sobre raça na campanha de Barack Obama em 2008, a escolha da candidata a vice-presidente de John McCain no mesmo ano. Mas ter ao seu lado uma equipe de agentes do serviço secreto é um sinal inegável de sucesso. Isso aconteceu na quinta-feira para Mitt Romney, e embora ainda seja cedo, sua campanha terá que lidar com muito cuidado com as possíveis consequências desta medida.

O efeito colateral mais importante será o da interação entre Mitt Romney e seus apoiadores, cujo acesso ao candidato em eventos poderá diminuir agora que agentes foram designados para protegê-lo.

Saiba mais: Tudo sobre as eleições nos Estados Unidos

NYT
Romney, de camisa branca, caminha em direção ao avião cercado por agentes do serviço secreto (03/02)

Reid Cherlin, que está cobrindo as primárias republicanas para a revista GQ e trabalhou na primeira campanha de Obama e na Casa Branca, disse que ter agentes do serviço secreto pode "complicar as coisas" para todos os envolvidos.

"Especialmente em Estados mais orientados ao consumo de varejo, ruas são fechadas sem aviso prévio e acontecem engarrafamentos. As pessoas não conseguem chegar perto do candidato e a imprensa local se sente maltratada", disse ele.

“De repente você se encontra dirigindo por uma cidade pequena a 100 quilômetros por hora em veículos esportivos utilitários. Isso pode até ser um espetáculo divertido em cidades maiores, mas em cidades pequenas onde as pessoas querem conhecer o candidato, pode ser um problema”, acrescentou. “Isso pode criar uma espécie de desafio de relações públicas.”

Avós que simplesmente querem que seus livros sejam autografados podem correr o risco de serem empurradas e os doadores locais não conseguirão ter acesso ao camarim para conhecer o candidato. As pessoas terão que ser revistadas - muitas vezes passando por um detector de metais - para entrar nos eventos da campanha, criando mais aborrecimento e frustração para potenciais partidários e mais regras de segurança e isolamento para o candidato.

A imprensa também tem sentido a presença dos agentes. No verão, quando a campanha de Romney ainda estava no início, era possível caminhar até ele e tocá-lo. Mesmo quando a multidão aumentou, os repórteres foram empurrados mais para trás, mas ainda conseguiam ficar perto o suficiente para ouvi-lo interagir com seus eleitores.

Para um político como Romney, que é extremamente disciplinado em público, aqueles momentos ofereciam breves vislumbres do candidato lidando com uma situação improvisada e momentânea.

Foi assim que ficamos sabendo sobre seu costume de adivinhar a idade dos eleitores e sua herança cultural - errando muitas vezes - e que um repórter presenciou Romney entregando um maço de dinheiro a uma mulher que disse que estava desempregada. Todos esses momentos se tornarão mais difíceis de presenciar conforme aumenta a segurança ao seu redor.

Um porta-voz do serviço secreto, que iniciou sua carreira protegendo candidatos presidenciais em 1968, disse que os agentes fazem o melhor possível para equilibrar a segurança e o acesso ao candidato.

"Entendemos que os candidatos que protegemos querem sair e conhecer pessoas", disse Ed Donovan, porta-voz do Serviço Secreto. "Acredito que neste momento nós entendemos plenamente quais são as expectativas de cada candidato, e tentamos satisfazer essas expectativas da maneira mais segura possível.”

Ninguém sabe qual codinome o serviço secreto deu para Romney, mas algumas semanas atrás, durante um jantar, os repórteres que o acompanham durante a campanha sugeriram alguns nomes. Normalmente, o serviço secreto escolhe uma letra e depois dá ao candidato e à cada membro de sua família um nome que comece com ela. Para Romney, os repórteres sugeriram a letra "S”.

A esposa de Romney, Ann, que é conhecida como a "Mitt-estabilizadora" por suas habilidades em acalmar o marido, foi apelidada de "Serenity” (Serenidade). Seu filho mais velho Tagg de "Scion" (Descendente). Ben, seu filho que é médico, de "Scalpel" (Bisturi).

E Romney foi apelidado em homenagem à canção que faz parte do tema de sua campanha, a música de Kid Rock "Born Free", que inclui o verso: "Selvagem, como um garanhão".

Romney, pelo menos para os repórteres que viajam com ele em sua campanha sempre será o "Stallion” (Garanhão).

Por Ashley Parker

    Leia tudo sobre: eleição nos euaromneyrepublicanosobamaeuaserviço secreto

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG