Proposta para luta contra Al-Qaeda no Iêmen divide oficiais

Comando pensa em ajuda de US$ 1,2 bilhão em equipamentos, mas opositores temem que armas sejam usadas contra governo aliado

The New York Times |

Oficiais do alto escalão do Departamento de Estado americano e militares estão profundamente divididos a respeito do ritmo e da escala da ajuda militar que será concedida ao Iêmen, algo que está emergindo como um teste crucial para a abordagem do governo Obama no combate à ameaça da Al-Qaeda.

Enquanto a filial da rede de terrorismo no Iêmen ameaça novos ataques contra os Estados Unidos, o Comando Central americano propôs fornecer ao país US$ 1,2 bilhão em equipamentos militares e treinamento ao longo dos próximos seis anos, uma escalada significativa nesse fronte de combate ao terrorismo que tem sido mantido longe dos olhos do público.

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Forças de segurança patrulham palácio do governo em Sanaa, capital iemenita. CIA já mostrou profunda preocupação com terrorismo no Iêmen
A ajuda incluiria armas automáticas, barcos de patrulha costeira, aviões e helicópteros de transporte, bem como ferramentas e peças de reposição. O treinamento poderia ser expandido para permitir que conselheiros logísticos dos Estados Unidos acompanhem os soldados iemenitas em funções que não sejam de combate.

Aqueles que se opõem à ideia, no entanto, temem que as armas americanas poderiam ser usadas contra os inimigos políticos do presidente Ali Abdullah Saleh e provocar um retrocesso que poderia desestabilizar ainda mais o volátil e empobrecido país.

O debate acontece no momento em que o governo reavalia como e quando usar mísseis dos Estados Unidos contra suspeitos de terrorismo no Iêmen, após um ataque fracassado em maio. Esse ataque, o quarto realizado desde dezembro por militares dos Estados Unidos, matou um vice-governador provincial e gerou distúrbios tribais.

O dilema reflete a incerteza que o governo enfrenta enquanto tenta evitar uma repetição da tentativa de atentado contra um avião que sobrevoava Detroit no dia 25 de dezembro por um nigeriano treinado no Iêmen.

"O Iêmen é o lugar mais perigoso", disse a deputada Jane Harman, democrata da Califórnia veterana no Comitê de Segurança Interna que visitou o Iêmen em março. "Nós estamos muito mais propensos a um ataque nos Estados Unidos por alguém inspirado ou treinado por pessoas no Iêmen, do que qualquer coisa que venha do Afeganistão".

Oficiais do governo reconheceram que ainda estão tentando encontrar o equilíbrio certo entre os ataques americanos, a ajuda militar e a ajuda ao desenvolvimento – não apenas no Iêmen, mas no Paquistão, na Somália e em outros países onde grupos extremistas islâmicos estão em funcionamento.

Daniel Benjamin, coordenador de ações contra o terrorismo no Departamento de Estado, disse em uma conversa sobre as políticas propostas que ataques apoiados pelos Estados Unidos e realizados por forças iemenitas contra a Al-Qaeda podem "negar ao grupo o tempo e espaço que necessita para organizar, planejar e treinar suas operações". Mas, a longo prazo, ele acrescentou, combater o extremismo no Iêmen "deve envolver o desenvolvimento de instituições confiáveis que possam trazer progresso econômico e social real".

*Por Eric Schmitt e Scott Shane

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