Proposta de tarifar bebidas açucaradas gera debate nos EUA

A discussão sobre a cobrança de impostos sobre refrigerantes ¿ proposta como uma forma de combater a obesidade e prover bilhões para a reforma da saúde ¿ está começando a esquentar.

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Imposto se aplicaria a refrigerantes, enérgéticos, isotônicos e alguns sucos

O presidente Barack Obama já disse que vale a pena considerar a proposta. O chefe-executivo da Coca-Cola chama a ideia de ultrajante, enquanto céticos apontam para obstáculos políticos e questionam se realmente haveria um impacto sobre os consumidores.

Mas uma equipe de médicos, cientistas e legisladores proeminentes diz que essa pode ser uma arma poderosa para ajudar a reduzir a obesidade, da mesma forma que os impostos sobre o cigarro ajudaram a inibir o fumo.

O grupo, que inclui o comissário de Saúde de Nova York Thomas Farley e o cirurgião-geral Joseph W. Thompson, de Arkansas, estima que o imposto de um centavo por cada 300 ml de bebida açucarada arrecadaria US$ 14,9 bilhões em seu primeiro ano, que poderiam ser gastos em iniciativas no sistema de saúde. A taxa se aplicaria a refrigerantes, energéticos, bebidas isotônicas e muitos sucos e chás gelados ¿ mas não bebidas dietéticas, pois não contêm açúcar.

A pesquisa sobre o assunto feita pelo grupo, publicada no The New England Journal of Medicine, foi divulgada na quarta-feira, mesmo dia em que o senador Max Baucus, democrata de Montana, anunciou seu plano de reforma na saúde, com um custo estimado de US$ 774 bilhões durante 10 anos. O plano de Baucus seria pago por uma série de impostos e taxas cobrados de grupos fabricantes de equipamentos médicos, drogas, e fornecedores de planos de saúde de alta qualidade, além de outras fontes, mas sem mencionar o imposto sobre as bebidas.

O papel científico encontrado na cobrança de impostos sobre a bebida não iria apenas arrecadar uma receita, mas também ter efeitos significativos na saúde, diminuindo a quantidade do consumo de refrigerante e outras bebidas doces o suficiente para resultar na perda de peso e redução nos riscos de saúde de muitos norte-americanos.

O estudo citou uma pesquisa de refrigerantes com preços flexíveis mostrando que a cada 10% de aumento no preço, o consumo reduzia de 8% a 10%.

John Sicher, editor da Beverage Digest, publicação comercial, disse que uma garrafa de refrigerante de dois litros é vendida por US$ 1,35. Se o valor total do imposto fosse repassado ao consumidor, essa bebida teria um aumento de 50% no preço. Uma caixa com 12 latas, que hoje é vendida por US$ 3,20, poderia custar US$ 1,44 a mais, um aumento de 45%.

Um imposto de um centavo por cada 300 ml criaria sérios problemas e impactos potencialmente adversos nas vendas da indústria de bebidas dos EUA, disse Sicher.

A taxa proposta enfrenta um obstáculo gigantesco no Congresso, onde diversos integrantes declararam sua oposição e poucos, ou nenhum, disseram que poderiam considerar a ideia.

A indústria de refrigerante tem resistido inflexivelmente à noção de que seus produtos são responsáveis pelo aumento da obesidade no país ou de que o imposto ajudaria a refrear o problema.

E até mesmo uma pessoa a favor do imposto disse que não ficou claro se ele teria um efeito direto no peso dos norte-americanos.

Eu acho que ficaríamos satisfeitos se o imposto sobre a bebida tivesse um resultado modesto no consumo, mas ao mesmo tempo ele geraria bilhões de dólares que poderiam ser usados em campanhas públicas de saúde, disse Michael Jacobson, diretor-executivo do Centro de Ciência de Interesses Públicos, grupo a favor da ideia.

Ele disse que se a taxa fosse cobrada dos fabricantes de bebidas açucaradas, eles poderiam dividir o custo entre suas variedades de produtos, desde chips até barras de cereal ou refrigerante dietético, o que faria o consumidor de bebidas doces sentir menos o impacto.

Apesar disso, a discussão sobre o imposto deixou a indústria de bebidas na defensiva. Na segunda-feira, Muhtar Kent, chefe-executivo da Cola-Cola, que estava no Rotary Club de Atlanta, foi questionado sobre a proposta e respondeu chamando-a de ultrajante. Eu nunca vi um lugar onde o governo dissesse às pessoas o que beber e o que comer que funcionasse, disse Kent, de acordo com uma matéria da Bloomberg News. Se funcionasse, a União Soviética ainda existiria.

A indústria começou a coordenar sua resposta em junho, quando criou uma organização chamada Americanos contra o Imposto sobre Alimentos.

Em seu site, nofoodtaxes.com, o grupo chama a si mesmo de uma coalizão de cidadãos conscientes em oposição à proposta do governo de cobrar impostos sobre comidas e bebidas, incluindo refrigerante e sucos. O número para contato listado no site é da American Beverage Association, uma organização cuja direção é formada por executivos de alto escalão das maiores fabricantes de refrigerantes.

A Americans Against Food comprou uma página inteira do jornal The Washington Post no domingo passado. Tinha o desenho de uma carta ao Congresso dizendo: não cobre impostos de nossos mantimentos.


Por WILLIAM NEUMAN

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