Proposta de ciberespaço livre reflete debate sobre eleição na Rússia

Apesar do apoio de mais da metade dos membros da OSCE, medida que defende liberdade na internet não será aprovada por resistências

The New York Times |

Os Estados Unidos e dezenas de outros países apelaram pela adoção de uma declaração de liberdades defendidas no ciberespaço em uma conferência de segurança europeia realizada na Lituânia na terça-feira, mas a proposta enfrentou a oposição da Rússia e de países que veem a internet como uma ameaça a seus sistemas políticos.

NYT
Mulher acessa a internet em uma lan house, um costume crescente na China
O projeto da declaração, circulado na reunião anual da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), foi divulgado apenas dois dias após as eleições parlamentares da Rússia , na qual houve repressão aos dissidentes antes e depois da votação, com ataques digitais relatados em sites de observadores eleitorais e meios de comunicação.

Leia também:
- Opositores protestam contra Putin e eleições

- Rússia condena EUA por denúncias de fraude eleitoral
- Partido de Putin perde facilidade para mudar Constituição

Apesar do apoio de mais da metade dos 56 países membros da organização, incluindo o Canadá e a maior parte da Europa, a proposta não tem chance de ser adotada porque a organização age apenas por consenso, permitindo que todos os países exerçam veto. Ainda assim, após as eleições russas, em particular, o projeto tornou-se simbólico para um debate mais amplo sobre as liberdades básicas dentro da organização .

"Temos de reconhecer que os direitos exercidos no ciberespaço merecem tanta proteção quanto os exercidos no espaço real", disse a secretária de Estado Hillary Clinton em declarações a oficiais de Estados membros da organização, o que inclui a Rússia.

Hillary criticou por dois dias consecutivos as eleições parlamentares de domingo na Rússia, ressaltando uma piora nas relações já tensas por causa de disputas sobre mísseis de defesa , as forças convencionais na Europa, o apoio da Rússia à Síria e ao Irã e outras questões.

A missão da organização de observação eleitoral na Rússia relatou abusos eleitorais generalizados, incluindo pressão sobre alguns partidos e observadores locais e urnas completamente manipuladas. Embora a organização não emita juízos sobre a credibilidade o processo, Hillary o fez, dizendo que ele não foi "nem livre, nem justo".

O chanceler russo Sergey V. Lavrov não abordou diretamente as eleições em seu próprio discurso, mas em geral acusou a organização de impor "padrões duplos", centrando-se sobre os direitos de alguns países e perdendo de vista sua missão principal de promover a segurança.

"Os mecanismos estabelecidos pela organização estão ficando enferrujados", disse ele.

AP
Putin participa de reunião em Moscou, na Rússia
Em Moscou, as autoridades repreenderam as observações de Clinton e outras críticas internacionais. "A questão do sistema político da Rússia não é problema deles", disse o presidente Dmitri A. Medvedev, segundo a agência de notícias RIA Novosti. "Em breve, eles nos dirão como devemos escrever a nossa Constituição."

Hillary criticou também outras duas ex-repúblicas soviéticas : Ucrânia e Belarus, também membros da organização.

Por Steven Lee Myers

    Leia tudo sobre: internetrússiachinaeuahillaryputineleição na rússia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG