Propagandas republicanas dão início aos ataques contra Obama

Faltando quase um ano para eleição, pré-candidatos republicanos e grupos conservadores gastam milhões em anúncios contra líder

iG São Paulo |

No palco onde acontecem debates entre pré-candidatos à presidência dos EUA, o confronto pode ser entre republicanos. Mas a partir dali os conservadores estão montando um ataque unificado e caro contra seu adversário comum: o presidente Barack Obama.

Menos de um ano antes da eleição presidencial, pré-candidatos republicanos e grupos conservadores já estão gastando pesadamente em anúncios televisivos destinados a apresentar Obama como um fracasso. Eles estão empregando táticas agressivas ao trocar farpas com a Casa Branca e seus aliados no que já está se transformando na mais cara guerra eleitoral do país.

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NYT
Anúncio do grupo conservador Crossroad GPS critica o presidente Barack Obama

Em uma propaganda do governador do Texas, Rick Perry, que está sendo veiculada na televisão a cabo, Perry olha diretamente para a câmera e diz: "As políticas socialistas de Obama estão falindo a América. Devemos detê-lo agora."

Um novo comercial de Mitt Romney, que foi veiculado na semana passada em New Hampshire, mostra uma série de afirmações deprimentes sobre a economia. "A maior crise de empregos desde a Grande Depressão. Um número recorde de desapropriações imobiliárias. Uma dívida nacional recorde". E finaliza julgando a presidência de Obama: "Ele prometeu que iria consertar a economia. Ele falhou."

Nos últimos seis meses, grupos conservadores (como os afiliados a Karl Rove e os bilionários industriais Irmãos Koch) e os próprios pré-candidatos republicanos gastaram mais de US$ 13 milhões em comerciais contendo uma mensagem negativa sobre Obama, de acordo com o Grupo Kantar de Análise de Campanha na Mídia, que monitora a publicidade política.

E isso deve apenas se intensificar. "Os números dos quais estamos falando agora vão parecer pouco em alguns meses", disse Kenneth M. Goldstein, presidente do grupo de análise. "E eles irão parecer realmente curiosos em oito ou nove meses."

O total de gastos com publicidade de televisão no ciclo eleitoral de 2012 pode chegar a US$ 3 bilhões, muito acima dos US$2,1 bilhões gastos há quatro anos, estima a Kantar, alimentado em parte pela ascensão de grupos independentes que podem arrecadar e gastar quantias ilimitadas em campanhas.

Os candidatos já tendiam a usar precocemente a publicidade para se apresentar aos eleitores. Mas, desta vez, os adversários de Obama estão apostando que podem empregar ataques mais cedo, antes de os democratas usarem as centenas de milhões de dólares que estão sendo arrecadados pelo presidente. Sua vantagem: canais que ainda não estão entupidos com mensagens políticas concorrentes.

Mas agir de maneira negativa tão cedo também traz riscos substanciais. Um deles é que muitos eleitores ainda não estão prestando muita atenção à campanha e não devem fazê-lo até mais perto de novembro do ano que vem - ou seja, esses gastos em publicidade poderiam ser em grande parte desperdiçados. Além disso, mensagens negativas agora poderiam alienar os eleitores moderados e independentes que culpam o partidarismo excessivo pelos problemas de Washington em lidar com os problemas do país.

Ainda assim, os candidatos republicanos parecem ansiosos para subir o tom. Romney e Perry têm rejeitado críticas de que eles deliberadamente distorceram as palavras de Obama em seus comerciais mais recentes - controvérsias que só trouxeram mais atenção aos vídeos.

Perry usou declarações do presidente sobre a necessidade de fazer mais para atrair o investimento estrangeiro fora de contexto para sugerir que Obama acredita que os americanos são preguiçosos. Romney editou um vídeo para colocar na boca de Obama uma ideia na verdade expressa por um apoiador do senador John McCain na corrida presidencial de 2008. O vídeo sugere que Obama acredita que ele não pode ganhar a eleição caso fale sobre a economia.

A Casa Branca ainda tem se mostrado um pouco tímida quanto a ir atrás dos republicanos. Os democratas já têm veiculado propagandas no Arizona, Iowa e Carolina do Sul contra Romney, que, caso conquiste a indicação, será objeto de um intenso esforço para mostrá-lo como um vira-casaca sem princípios.

Priorities USA Action, um grupo pró-Obama fundado com a ajuda de Bill Burton, ex-porta-voz da Casa Branca, gastou quase um milhão de dólares em anúncios de televisão. Embora Obama quase certamente tenha uma vantagem na arrecadação de fundos sobre o seu eventual rival republicano, Burton disse que no início, quando grupos externos desempenham um papel particularmente proeminente em veicular os argumentos de ambos os lados, os conservadores têm uma grande vantagem sobre seus colegas liberais.

"Esta é uma guerra assimétrica", disse ele, "mas estamos muito confiantes de que vamos ser mais eficazes e mais estratégicos na forma como gastamos nosso dinheiro."

O Crossroads GPS, um grupo de defesa conservador fundado por Rove e outros estrategistas republicanos, colocou a maior aposta até agora em mensagens negativas. Por sua própria contagem, cerca de US$ 20 milhões foram gastos este ano em propaganda política.

Grande parte dos comerciais foi transmitida durante os debates no Congresso sobre o teto da dívida, que aconteceu neste verão, com propagandas que retrataram Obama e os democratas como fiscalmente irresponsáveis e incapazes de consertar a economia.

Nas últimas semanas, o grupo atacou Obama e sua agenda econômica, gastando US$ 2,6 milhões em um comercial que critica seu apoio a um aumento no imposto para rendas altas e sugere uma divisão sobre o tema entre Obama e o ex-presidente Bill Clinton.

Ele termina com um aceno para a linha de ataque republicana de que os democratas estão incitando uma luta de classes: "Presidente Obama, é hora de atacar os problemas, não as pessoas".

O Crossroads GPS tem sido acusado de não retratar com precisão as palavras de Clinton. Embora ele tenha expressado dúvidas de que o aumento de impostos em uma economia lenta poderia ser eficaz, ele apoiou o princípio geral de impostos mais altos para os ricos.

Muitos dos anúncios têm sido veiculados em Estados decisivos como Colorado, Flórida, Ohio e Pensilvânia e têm sido programados para coincidir com viagens presidenciais.

"Isso cria um cenário em que a visita do presidente é recebida com um forte contraponto ao argumento que ele está fazendo", disse Jonathan Collegio, diretor de comunicações da Crossroads GPS.

"E nos Estados mais disputados é fundamental expor sua opinião cedo e muitas vezes," disse Collegio. "Pode haver algum valor na publicidade agora que será impossível de se conseguir no final da campanha, quando praticamente toda a publicidade na televisão e rádio é política."

O Crossroads GPS não é o único grupo conservador que está gastando pesadamente em propagandas anti-Obama, em grande parte graças a decisões judiciais que lhes permitiram arrecadar e gastar quantias ilimitadas de dinheiro na defesa de interesses políticos. O Americans for Prosperity, uma organização fundada com o apoio de David H. Koch e Charles G. Koch, também está desempenhando um papel precoce na publicidade política.

Os irmãos Koch têm uma abordagem um pouco diferente, retratando o governo Obama não apenas como imprudente no quesito fiscal, mas também corrupta. Em seu último comercial, um vídeo de 60 segundos que tem sido veiculado em lugares como Flórida, Michigan, Nevada e Virgínia, um locutor repetidamente fala sobre a Solyndra, uma empresa de energia solar apoiada pelo governo que faliu e se tornou um foco de raiva conservadora a respeito de gastos perdulários.

Em seguida, ele sugere que os laços políticos da Solyndra com os democratas tiveram um papel em sua conquista de garantia de empréstimo do governo: "É nesta mudança que devemos acreditar? Diga ao presidente Obama que ele não deveria usar os dólares do contribuinte para conceder favores políticos".

Uma análise da Kantar Media mostrou que nas últimas semanas o Americans for Prosperity já gastou US$ 2,4 milhões comprando tempo para a propaganda, que foi transmitida quase quatro mil vezes.

Por Jeremy W. Peters

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