Promoção de cultura cinematográfica em Dubai esbarra em preceitos islâmicos

DUBAI, Emirados Árabes Unidos - Quando a herdeira Paris Hilton visitou Dubai em junho e julho para analisar mulheres dispostas a se tornarem sua nova melhor amiga em seu programa de televisão My New BFF, seus produtores tiveram acesso a estúdios de última geração e um governo ansioso em importar a fascinação de Hollywood para o Oriente Médio.

The New York Times |

Mas para aderir às normas islâmicas da região, muitos dos ingredientes habituais dos reality shows foram censurados: não poderia haver bebida alcoólica, palavras de baixo calão ou demostrações de afeto dramáticas. Os produtores pensaram em filmar uma cena em um parque aquático, mas mudaram de ideia ao saber que teriam que vestir as concorrentes em trajes religiosamente aceitáveis.

Dubai, Abu Dhabi e outras cidades do Golfo Pérsico enfrentam enormes barreiras ao tentar diversificar suas economias encorajando setores criativos e se tornando capitais do entretenimento. Uma das principais barreiras: elas operam sob leis islâmicas. Hollywood, não.

Neste mês, citando razões morais, Dubai rejeitou os produtores da continuação de "Sex and the City" , que queriam filmar parte da produção na cidade. "Body of Lies", um thriller sobre terroristas, foi recusado em 2007.

Até agora, os Estados petrolíferos têm se mostrado mais capazes de pagar por produções e construir instalações caríssimas para a produção de filme do que em atrair de fato a produção para o Oriente Médio, conforme esforços econômicos vão contra valores tradicionais.

Algumas outras barreiras são logísticas. Por exemplo, exigências locais para vistos de trabalho de tempo integral significam que Dubai não tem uma robusta estrutura propícia ao mercado de trabalho independente para apoiar as produções.

Apesar das desvantagens, as ambições da região não podem ser descartadas, em parte por causa das grandes somas que os locais estão dispostos gastar.

A Imagenation, uma subsidiária da estatal Abu Dhabi Media Co., a Participant Media e a Hyde Park Entertainment investiram US$ 250 milhões cada e US$ 100 milhões com a National Geographic Entertainment para financiar filmes.

O empreendimento mais caro de Abu Dhabi até hoje foi com a Warner Bros. que chegou a soma de US$ 1 bilhão. Seu primeiro curta metragem, "Shorts", estreou neste mês nos Estados Unidos, fazendo decepcionantes US$ 6,6 milhões em seu final de semana de estreia. Até agora, "Shorts" foi o único filme desenvolvido por meio da sociedade.

A National Geographic planeja fazer mais progresso com Abu Dhabi. Adam Leipzig, presidente de sua divisão de entretenimento, disse que os sócios planejam fazer dois ou três filmes nos próximos cinco anos. Seu primeiro, "Amreeka", deve ser lançado no dia 4 de setembro, e sua primeira co-produção, "The Way Back", teve gravações encerradas há dois meses.

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