Projetos online buscam combater casos de corrupção cotidianos

Sites que recebem denúncias, como o ipaidabribe.com na Índia, querem trazer mudanças e luta contra irregularidades para mundo real

The New York Times |

O custo para se reivindicar a devida restituição do imposto de renda em Hyderabade, na Índia, é de 10 mil rúpias (R$ 351).

A taxa para a adoção de uma criança que já apresentou os requisitos de entrada para o ensino médio em Nairobi no Quênia é de 20 mil shillings (R$ 428). O custo para se obter uma carteira de motorista sem precisar de teste em Karachi no Paquistão é de 3 mil rúpias (R$ 58,2).

NYT
Swati Ramanathan, cofundadora do site I Paid a Bribe, em escritório de Bangalore, na Índia
Esses são os preços do que Swati Ramanathan descreve como o "varejo da corrupção", um tipo de suborno barato que faz parte da vida cotidiana de muitas pessoas em todo o mundo.

Ramanathan e seu marido Ramesh, juntamente com Sridar Iyengar, começaram a mudar tudo isso em agosto de 2010, quando criaram o ipaidabribe.com, um site que recolhe denúncias anônimas de propinas e subornos pagos, assim como subornos solicitados mas não pagos.

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Cerca de 80% dos mais de 400 mil relatos que foram registrados no site contam histórias como essas, de oficiais e burocratas que procuram pagamentos ilícitos pela prestação de serviços comuns ou que cobram para processar formulários e processos burocráticos que deveriam ser gratuitos.

Agora, sites similares estão se espalhando mundo afora, podendo evoluir em um movimento que busca difamar burocratas corruptos em diversos países. Segundo Ramanathan, organizações não-governamentais e agências governamentais de pelo menos 17 países haviam entrado em contato com Janaagraha, uma organização sem fins lucrativos que opera o site I Paid A Bribe (Eu Paguei Suborno, em tradução livre) em Bangalore, na Índia, para perguntar como obter o código fonte e criar um site próprio em seu país.

Ferramentas

Ben Elers, diretor do programa do Transparência Internacional, uma organização não-governamental, disse que as mídias sociais deram às pessoas comuns novas e poderosas ferramentas para combater a corrupção. "No passado, tendíamos a enxergar a corrupção como um enorme problema monolítico a que as pessoas comuns não podiam fazer nada a respeito", disse Elers. "Agora, as pessoas têm novas ferramentas para expor esse problema e exigir mudanças."

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Como as denúncias são anônimas, em parte para evitar possíveis problemas de calúnia e difamação, é quase impossível verificar a veracidade dos relatos, mas Elers e outros com experiência em expor casos de corrupção dizem que muitos deles acabam sendo confirmados como verdadeiros.

EsSes sites servem, no entanto, apenas como um mecanismo de referência. "Por si próprios eles não mudam nada", disse Elers. "Eles existem para impulsionar medidas práticas, são mecanismos desenvolvidos para transformar denúncias feitas na internet em mudanças no mundo real."

*Por Stephanie Strom

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