Projetos de urbanização sauditas são janela para modernidade

Na cidade portuária de Jeddah, distrito idealizado pelo rei Abdullah será versão do Oriente Médio de 'zonas econômicas especiais'

The New York Times |

Perto de uma estrada no deserto, a cerca de uma hora de carro da cidade portuária de Jeddah, um enorme portão em arco coberto por três cúpulas se ergue sobre a areia, como o set de um filme mudo de fantasia dos anos 20.

Na verdade, trata-se de uma fantasia de planejamento urbano contemporâneo, o local no qual em breve ficará a Cidade Econômica do rei Abdullah, um canteiro de obras de 168 quilômetros quadrados na margem do Mar Vermelho.

Com uma população projetada de 2 milhões de habitantes, a cidade será uma versão do Oriente Médio de "zonas econômicas especiais" que floresceram em lugares como a China.

A cidade é uma das quatro que estão sendo construídas no deserto vazio da Arábia Saudita, todas com conclusão prevista para 2030.

Elas seguem no rastro da primeira universidade mista do país, que abriu no ano passado ao lado do terreno do rei Abdullah, e um distrito financeiro quase do tamanho de Manhattan, que está nascendo na periferia da capital do país, Riad.

Com mais de 13 milhões de sauditas – metade da população – com menos de 20 anos, o governante de 86 anos está tentando criar mais de 1 milhão de novos empregos e 4 milhões de domicílios no prazo de 10 a 15 anos. Ele e seu clã vislumbram uma nova classe de médicos, engenheiros e empresários que poderia atuar em um mercado global.

Para conseguir esta proeza o governo saudita diz que precisa abrir a porta para algum tipo de modernidade ao estilo ocidental – ou pelo menos uma versão mais suave do islã praticado aqui, com sua rigorosa separação entre os sexos, suas restrições severas sobre a vida pública das mulheres e sob o olhar sempre atento da polícia religiosa.

Mudança

A ideia é criar ilhas nas quais a mudança possa aparecer, pouco a pouco, sem entrar em conflito com as poderosas forças conservadoras existentes no país.

Se o plano funcionar, na melhor das hipóteses, ele irá transformar a Arábia Saudita em uma sociedade tecnologicamente avançada, controlada por uma autocracia religiosa um pouco mais tolerante - ou provocar a violência militante e atrair repressão por parte do governo.

"O que eles estão tentando fazer é muito difícil", disse Barnard Haykel, professor de estudos do Oriente Médio da Universidade de Princeton, que tem escrito extensivamente sobre a Arábia Saudita. "Alguém lhe dizendo para ir rezar – aquela religião ostensiva – isso não vai ser permitido nessas cidades. É um islã mais ecumênico, mas isso é muito difícil. Depois de começar, a porta está basicamente aberta a um certo grau de diversidade e tolerância".

*Por Nicolai Ouroussoff

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