Vereadora responsável pelo distrito de Chinatown, Margaret Chin, quer que consumidor pague multa ou cumpra pena de um ano

Cabrina Whitam disse iria a qualquer lugar do bairro de Chinatown atrás de bolsas Chanel e Burberry falsas. "Eu venho aqui, vou continuar vindo aqui e seguirei os chineses onde quer que eles me levem", disse Whitam, que vive em Nova Jersey, em meio a vendedores de bolsa e óculos de sol na Rua Canal. "Eu não acredito em trabalho infantil e eu não acredito em apoio aos terroristas. Se eu quiser comprar uma imitação, isso é um problema meu”.

Mas a vereadora Margaret S. Chin, responsável pelo distrito de Chinatown, quer um projeto de lei que faria da compra de produtos piratas um problema da cidade também. O projeto de lei proposto tornaria crime a compra de mercadorias falsificadas. Se aprovado, infratores como Whitam poderiam ter de pagar uma multa de US$ 1 mil, cumprir um ano de prisão, ou ambos.

"Eu acho essa uma péssima ideia", disse Whitam, que frequenta o bairro de Chinatown quatro ou cinco vezes por ano. Sua melhor compra? "Seis anos atrás, eu comprei um relógio Rolex e ele ainda funciona", contou. "Nunca sequer precisei trocar a bateria".

Margaret Chin quer penalizar consumidor que comprar produtos piratas na cidade de Nova York
The New York Times
Margaret Chin quer penalizar consumidor que comprar produtos piratas na cidade de Nova York
Chin afirmou que sua proposta busca impedir a procura por mercadorias falsificadas pelas quais o bairro ficou conhecido. "As pessoas podem vir a Chinatown e comprar alguns produtos realmente autênticos, mas elas só querem saber das imitações", disse ela. "Nós queremos ser conhecidos por nossos museus, lojas e restaurantes”.

As pessoas que querem uma bolsa de grife, Chin acrescentou, devem comprar a original. "O que aconteceu com o tradicional valor de poupar para algo que você realmente deseja e que é caro?", perguntou ela. "Se você realmente gosta daquilo, economize dinheiro para comprar o verdadeiro”.

Preços

Muitos em Chinatown, no entanto, insistiram que nem todos podem pagar pelo produto original, e que eles deveriam ter a opção de gastar menos em uma bolsa que, à primeira vista, parece quase de marca.

"Eu acho que as pessoas deveriam ter a opção de comprar o que cabe em seu orçamento", disse Sherise Jackson, 27 anos. "Eu gosto de moda a um preço acessível e nem todos podem pagar US$ 300 ou US$ 500 em uma bolsa". Ela tocou um lenço com o xadrez que é marca registrada da marca Burberry e perguntou o preço. "Dez dólares", foi a resposta.

Rick e Bev Houston, que vieram de Toronto e estavam visitando o bairro, entraram em uma loja da Rua Canal e perguntaram sobre um relógio pirata da marca Michael Kors que queriam levar de presente para sua filha. "É um problema complicado", disse Rick Houston, apontando para os vendedores ao redor dele ao explicar seu ponto de vista sobre a proposta de Chin. "É ilegal porque tira o trabalho das pessoas que fazem o produto verdadeiro, mas quantas pessoas ficarão sem trabalho se a lei for aprovada?"
O gabinete de Chin afirmou que a indústria de produtos falsificados custa à cidade cerca de US$ 1 bilhão ao ano em receitas fiscais.

O prefeito Michael R. Bloomberg, quando questionado sobre a venda de produtos de marca falsificados, disse que esse é um problema que precisa ser levado "a sério". "Proteger a marca dos fabricantes é do interesse da cidade e do interesse do país, caso contrário as pessoas não virão aqui para vender seus produtos e criar produtos", disse Bloomberg durante uma visita ao Bronx. "Se esse é o caminho certo a seguir sobre a questão, eu não sei".

Ele disse que isso significaria uma outra lei que a polícia teria de executar. "Há um número limitado de coisas que podemos fazer", disse ele. "Eu não sei se essa lei é prática”.

Christine C. Quinn, o presidente do Conselho Municipal, não se pronunciou sobre a proposta, mas disse que será considerada quando for formalmente apresentada.

Vendedores

Lojistas em Chinatown não quiseram falar com os repórteres – eles estavam mais interessados em tentar vender uma bolsa Louis Vuitton por apenas US$ 35 – mas um homem que se identificou apenas como Simon disse temer que a lei poderia prejudicar o comércio do distrito de turismo. "Eles vêm aqui para isso", disse ele, apontando para a fila aparentemente interminável de vitrines cheias de bolsas. "A atração principal aqui é esta. Muitas pessoas perderão seus empregos”.

Enquanto isso, na mesma rua, a moradora do Bronx Dany Santiago, 28 anos, e duas amigas estavam ocupadas em busca de promoções. "Se a economia está para baixo, porque impedir as pessoas de gastar dinheiro", perguntou Santiago, que declarou não concordar com a premissa do projeto.

Sua amiga Soklyda Tong, 28 anos, parou de experimentar óculos de sol Dolce & Gabbana falsos e acrescentou: "Em vez de gastar seu dinheiro em algo que não poderão pagar, porque não deixar que as pessoas gastem seu dinheiro com o que querem?”.

O terceiro membro do grupo, Rodney Reid, 30 anos, apelou para um consumidor informado e uma postura laissez-faire. "Se eles sabem o que estão comprando, entram na loja e percebem que não é um Gucci ou Prada original, devem ter o direito de comprar o que quiser”, disse.

*Por Ashley Parker

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