Projeto de lei pode voltar a restringir viagens dos EUA para Cuba

Congresso americano discute legislação que reverteria medidas de Obama e voltaria a impor limites a viagens e remessas

The New York Times |

Mais de dois anos depois de o presidente Barack Obama tornar mais fácil a viagem de cubano-americanos a Cuba, além do envio de remessas de dinheiro para parentes que vivem no país, na semana passada o Congresso discutiu um projeto de lei de gastos que pode restringir mais uma vez o contato com a ilha.

"Isso tem de ser corrigido", disse uma autoridade da Casa Branca, acrescentando que o governo não está disposto a aceitar que o "imperativo do presidente em política externa" seja derrubado por meio de uma lei de gastos. A reação entre os cubano-americanos em Miami foi semelhante.

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Passageiros esperam para embarcar para Cuba no Aeroporto Internacional de Miami, na Flórida (12/11)

Desde que as restrições foram revogadas, em 2009, as visitas a familiares, remessas de dinheiro e envios de bens para Cuba tiveram um rápido crescimento. Este ano, quase 400 mil pessoas visitaram a ilha partindo dos Estados Unidos, quase todas cubano-americanas.

A medida, se aprovada, não apenas irá interromper as viagens a Cuba, mas, alguns dizem, também prejudicará um movimento de oposição nascente da ilha. A medida foi anexada a uma lei de gastos do Departamento do Tesouro que parece ser a última peça que precisa de aprovação para um projeto de lei abrangente que financiaria o governo federal.

Se o projeto de lei for aprovado como está, ele irá restringir as viagens atualmente ilimitadas realizadas por cubano-americanos a uma vez a cada três anos e não permitirá visitas por membros da família que não tenham relação direta - primos, tios e tias.

Além disso, o projeto limitaria as remessas a Cuba a US$ 1,2 mil por ano. As medidas são idênticas às impostas pelo presidente George W. Bush durante seu governo (2001-2009).

"Parte do problema aqui é o reagrupamento familiar", disse o parlamentar José E. Serrano, democrata de Nova York do Comitê de Apropriações da Câmara, que se opõe à medida elaborada pelo representante Mario Diaz-Balart, republicado da Flórida. "Estaríamos destruindo famílias."

Diaz-Balart disse que as viagens e transferências monetárias atuais servem apenas para enriquecer o governo Castro. Ele argumentou que Washington não deveria recompensar o governo cubano, particularmente à luz da sua recente repressão contra dissidentes e a prisão de Alan Gross, um americano que foi condenado a 15 anos de prisão por crimes contra o Estado cubano pela distribuição equipamentos de telefone via satélite para grupos judaicos em Havana.

Com uma eleição se aproximando no próximo ano, ainda não se sabe se os cubano-americanos de linha dura, que votam em grande número e fazem contribuições consideráveis para as campanhas, terão sucesso. O apoio a restrições mais rigorosas entre os cubanos em Miami diminuiu consideravelmente nos últimos cinco anos e a maioria deles apoia a mudança na política feita por Obama em 2009.

Por Lizette Alvarez

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