Progresso no esforço contra antigos crimes raciais é escasso

Famílias das vítimas de assassinatos causados por motivações raciais, há cerca de 40 anos, ainda esperam por justiça

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Em fevereiro de 2007, Alberto R. Gonzales, procurador-geral do presidente George W. Bush, emitiu um aviso severo para aqueles que assassinaram negros com impunemente durante a era dos direitos civis: “Vocês não estão impunes. Nós ainda estamos atrás de vocês”.

Gonzales observou que o tempo era curto. A janela de oportunidade para resolver os crimes com motivações raciais de mais de 40 anos, estava se fechando. As famílias das vítimas esperaram décadas por uma resolução, enquanto suspeitos e testemunhas haviam morrido.

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Shelton Chappell segura foto em que seu pai olha o corpo de sua mãe, Johnnie Mae Chappell, morta em março de 1964 em Jacksonville
Três anos depois, elas ainda estão esperando. Não houve nenhum indiciamento federal desde o anúncio de Gonzales da chamada Iniciativa de Casos Frios da Era dos Direitos Civis. Pouco dos milhões de dólares aprovados pelo Congresso para financiar a iniciativa se concretizou.

Apesar de casos de homicídios de 40 anos de idade serem extremamente difíceis de resolver, nenhum agente do FBI (Bureau Federal de Investigações, em tradução livre) foi atribuído a lidar com os casos em tempo integral.

Esforço coletivo

Aqueles que esperavam por um esforço total das agências da lei para vencer o relógio se decepcionaram. Em vez disso, testemunhas dizem que o FBI tem levado meses ou anos para se aproximar deles.

O procurador-geral do presidente Barack Obama, Eric H. Holder Jr., promoveu o tratamento de seu departamento desses casos, salientando que 56 dos 109 casos foram fechados, com muitos outros em andamento.

O departamento adotou a medida incomum de escrever cartas para as famílias das vítimas, detalhando as conclusões e explicando por que o caso não pode ser prosseguido – como, em muitos casos, quando o suspeito já está morto.

Mas os críticos dizem que os números são enganadores, porque em vez de investigar agressivamente as dezenas de casos que ainda podem render um processo viável, o departamento tomou a rota mais fácil de fechar os mais impossíveis primeiro.

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Os irmãos Cordero e Gregory Ducksworth, cujo pai foi assassinado em 1962, lutam por justiça
“Se todo esse esforço seguir adiante sem nenhuma evidência de uma caça aos agressores e não resultar em nenhuma acusação, então não haverá credibilidade nos resultados para o povo americano”, disse Alvin Sykes, presidente do grupo Campanha por Justiça a Emmett Till, de Chicago, e uma força instrumental na passagem do Ato Emmett Till para Crimes de Direitos Civis Não Solucionados em 2008.

Os oficiais federais se irritaram com as críticas, dizendo que são prematuras e ressaltaram que autoridades têm a obrigação de rever todos os casos e trazer “encerramento” às famílias.

“Nós sempre soubemos que localizar os indivíduos, testemunhas e provas de casos de assassinatos de 40 anos atrás seria um desafio, e que muitas destas questões não podem ser processadas”, disse Xochitl Hinojosa, porta-voz do Departamento de Justiça.

Mas as famílias ainda anseiam por ação.

*Por Shaila Dewan

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