Programas pró-maconha tomam conta da TV americana

LOS ANGELES - Dicas para cultivar maconha. Relatos de pacientes sobre seus benefícios médicos. Lições de culinária com maconha. Até mesmo prêmios para certas variedades da planta. Agora, os telespectadores americanos podem assistir a todo tipo de programa pró-maconha semanalmente.

The New York Times |

Rejeitado por uma emissora de TV, mas rapidamente aceito por outra, o " Cannabis Planet " é evidência televisionada de como a maconha está engendrada na cultura californiana e é um potente exemplo da forma como a subcultura da maconha tem avançado no palco nacional.

"Nós tentamos mostrar a legitimidade desta planta", disse Brad Lane, produtor executivo do programa de meia hora.

Lane paga pela transmissão duas vezes por semana pela estação estação independente KJLA (quinta-feira e sábado às 23h30, entre "Bikini Beach" e "Central de Jóias") e diz que já está equiparando os custos, quase dois meses depois da estreia do programa.

"Cannabis Planet" se concentra nos usos medicinais, agrícolas e industriais da planta da maconha, propositalmente ignorando seus aspectos recreativos. Os telespectadores, por exemplo, vêem poucas cenas de consumo, ainda que os apresentadores traguem entre uma cena e outra.

"Nós estamos pisando em ovos, para ser honesto", disse Lane.

Ainda assim, "Cannabis Planet" permanece no ar - sem nenhuma reclamação dos telespectadores, de acordo com a emissora.

O uso da maconha tem sido descrito na mídia há décadas, apesar de sua presença ter diminuído ao longo do tempo, dos filmes de comédia de Cheech & Chong no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980 aos mais recentes esforços de Dave Chappelle em "Half-baked" e Seth Rogen em "Pineapple Express". Na televisão, no entanto, raramente o tema passa de um motivo para enredo ou uma piada pronta - até recentemente.

A maconha medicinal é legal em 14 Estados e a organização NORML diz que esforços para legalizar a planta estão em andamento em outros 15. O uso da maconha permanece ilegal sob lei federal, mas em um rompimento com políticas anteriores, a gestão Obama disse em fevereiro que oficiais federais deixariam de invadir dispensários de maconha medicinal autorizados por lei estadual.

Desde então, o número de dispensários na Califórnia aumentou em um movimento que muitos chamam de "corrida verde".

"Realmente aumentou muito", disse Peterson, executivo de produção da Original Productions, que trabalha com a Blue Dream Media para criar um reality show realizado em um centro de distribuição de maconha, em Hollywood. O programa, "Top Bud", deve ser uma mistura de "LA Ink", programa sobre um agitado estúdio de tatuagem produzido pela Original, e "Weeds", o drama da emissora Showtime sobre uma mãe vendedora de maconha.

"Ainda que a droga seja ilegal na maioria dos Estados, a ideia é mostrar que há um mundo lá fora onde ela é legal, e onde as pessoas raramente fazem uso disso", disse Peterson.

Os produtores estão tentando vender o "Top Bud" para emissoras. Peterson reconhece que houve hesitação no princípio mas que sua companhia já conseguiu "interesse sólido" no programa.

Algo similar acontece nos programas de TV com roteiro. No "Glee", novo musical escolar da Fox, uma das personagens é um vendedor de maconha medicinal. No Festival de Televisão de Nova York na próxima, um dos projetos pilotos que concorrem ao prêmio principal é "Rx", um drama centrado no mundo da maconha medicinal.

Um surto de notícias tem documentado a popularização da maconha, citando entre outros exemplos as referências constantes à droga na mídia e o apoio de celebridades. Este mês a revista Fortune questionou em sua capa: "Maconha já é Legal?" A CNBC repete seu documentário realizado há oito meses sobre a maconha, "Marijuana Inc.", pelo menos uma vez por semana e ele continua a ser um dos mais populares do canal, com enorme audiência.

A inspiração de Lane para o "Cannabis Planet" veio de um lugar mais prático: ele percebeu o aumento no número de anúncios nos jornais locais para maconha medicinal. "Este é o único segmento de mercado que eu vejo crescer", ele disse.

Californiano nativo propenso a declarações como, "Você sabia que a Guerra de 1812 foi a respeito da maconha?", Lane disse que fuma maconha desde seu segundo ano da faculdade. Agora ele faz uso da maconha medicinal para lidar com um déficit de atenção e hiperatividade, ele conta.

Calvina Fay, diretora executiva da Fundação América Livre de Drogas, disse que um programa de TV semanal que exalta a maconha como inofensiva contribui para percepções impróprias sobre a droga. "Eles estão colocando a vida das pessoas em perigo ao promover uma planta tóxica e prejudicial como cura para pessoas doentes e intencionalmente ignorando os danos disto", ela disse, acrescentando que a droga foi "relacionada a uma série de problemas de saúde".

Lane, discordando ativamente dos grupos antidrogas, diz que seu programa existe para disseminar fatos sobre a maconha. Por isso não apresentará informação sobre usos recreativos da planta.

"Infelizmente, a maconha ainda é vista como um assunto ofensivo por muitos pessoas", ele disse.

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