Programa de rádio faz mexicanos se sentirem em casa nos EUA

FRESNO ¿ A voz estremeceu de aflição. ¿Por favor¿, implorou Esmeralda Santiago, falando em um programa de rádio direcionado aos imigrantes pobres do México e pessoas indígenas do Estado de Oaxaca, no sul. ¿Isto é para Silvia Santiago. Por favor, se você pode nos ouvir, ligue. Nossa mãe está preocupada porque já faz tempo que não falamos com você.¿

The New York Times |

Filemon Lopez, o apresentador do show, ouviu e fez um aceno de cabeça. Ele nunca tinha ouvido algo tão doloroso e cheio de emoção. Primeiro, a mulher falou em espanhol e depois repetiu o pedido ¿ desmanchando-se em choro ¿ em Triqui, uma das línguas indígenas de Oaxaca.

Não ter comunicação, disse Lopez com um intervalo, sendo ele próprio um imigrante ilegal que antes trabalhava no campo, causa muita tristeza.

No último domingo, certamente houve momentos mais felizes em La Hora Mixteca (A Hora Mixtec), show de Lopez, que primeiramente buscava um público entre os Índios Mixtec, mas acabou atraindo ouvintes de outros grupos nos EUA e, via conexão de satélite, também em Oaxaca.

Soledad Martines, de Fresno, queria que sua mãe, irmã, irmão e primo ¿ e a lista continua ¿ tivessem um bom dia em Oaxaca. Jose Ramos, da cidade de Clovis, na Califórnia, ligou para convidar pessoas para jogar bola na pequena cidade rural. Cesar Cipriano pediu um corrido particular, tipo de canção mexicana.

Todos se viraram para Lopez que, durante o programa, é como um embaixador da ordem, em bons e maus momentos, para uma comunidade que mantém distância das tendências do mundo lá fora.

Os Mixtecs ¿ há uma estimativa de 150 mil deles na Califórnia ¿ ocupam o nível mais baixo dos imigrantes latinos de acordo com o preconceito, zombados por suas maneiras rurais, seu espanhol acentuado ou dificuldade em falá-lo, e os baixos níveis de educação. Eles fazem os trabalhos mais pesados na rica agricultura do Central Valley ¿ escolhendo frutas e vegetais ¿ e frequentemente têm dificuldade para melhorar de vida.

Além disso, enfrentam exploração e discriminação doméstica e no emprego. São estranhos desconfiados, com um legado de isolamento relativo de suas vilas no México e com histórias de abuso de pessoas de fora do grupo, de acordo com estudiosos.

Mesmo em uma era de telefones celulares e redes sociais online, o programa de radio de Lopez existe desde sua primeira transmissão em 1995, utilizando a 12ª estação dos EUA há poucos meses, no Condado de Santa Barbara. O show é transmitido das 10 às 14 horas, todo domingo na Rádio Bilíngue, única rádio pública de língua espanhola nos EUA e que também já tem participação na internet.

La Hora Mixteca é muito importante, disse Gaspar Rivera-Salgado, um Mixtec que é diretor de projeto no Centro de Pesquisa de Trabalho e Educação na Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

É como uma réplica dos shows de auditório em Oaxaca, onde você tem um DJ carismático que combina uma personalidade forte com lições de cultura e de quem somos, acrescentou. É um rádio bem fora de moda tem um efeito especial de fazer as pessoas se sentirem parte dessa comunidade fechada e que falam sua língua.

Em meio a poucos programa de línguas indígenas mexicanas, Lopez consegue fazer o dele uma mistura eclética de educação e entretenimento.

No decorrer de um programa recente, Lopez tocou músicas que guarda em ao todo 20 caixas de CDs, frutos que foram coletados durante a vida toda, entrevistas que fez com trabalhadores de saúde sobre a importância do bom desenvolvimento da criança, que mostram respeito por ativistas índios mortos há poucos anos no México e conselhos práticos que compartilhou com todos ¿ tudo enquanto pulava facilmente do idioma espanhol para o mixteco, e vice-e-versa.


Por RANDAL C. ARCHIBOLD


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