Previdência social não acompanha queda na economia americana

WASHINGTON - Apesar do aumento no desemprego e da pior crise econômica em décadas, 18 Estados diminuíram sua previdência social no ano passado e nacionalmente o número de pessoas que recebem ajuda financeira continua a ser o menor em mais de 40 anos.

The New York Times |

A tendência, baseadas em uma análise de novos dados estaduais coletados pelo The New York Times, gera questões sobre quão bem uma previdência social melhorada com grande participação do Estado responde ao aumento das dificuldades.

Michigan cortou sua participação na previdência em 13%, apesar de ser um dos dois Estados cujo desemprego em outubro chegou a 9%. Rhode Island, o outro, teve o maior declínio do país, 17%.

Dos 12 Estados onde o desemprego cresceu mais rapidamente, oito reduziram ou mantiveram constante o número de pessoas que recebem a Assistência Temporária para Famílias em Necessidades, ou Tanf, na sigla em inglês, principal programa de previdência para famílias com filhos. Nacionalmente, pelos 12 meses que acabaram em outubro de 2008, os números aumentaram uma fração de 1%.

O aumento na recessão oferece um novo desafio ao programa, que foi aprovado pelo Congresso republicano e assinado pelo presidente Bill Clinton em 1996 em meio a protestos e se tornou um dos experimentos sociais mais acompanhados da história moderna.

O programa, que ajuda principalmente as mães solteiras, acabou com o direito ao auxílio monetário que durava 60 anos, substituindo-o com limites temporais e exigências trabalhistas, que deram aos Estados o espaço necessário para desencorajar as pessoas de acessarem a previdência. Ainda que amplamente elogiado nos anos de crescimento que se seguiram, os céticos alertaram que iria falhar quando o momento fosse de necessidade.

Os defensores do programa dizem que o problema reflete o tempo entre a perda do emprego e a decisão de procurar ajuda. Eles também dizem que a recessão pode ter inicialmente poupado os empregos de pouca habilidade mantidos por muitos dos pobres.

Mas críticos argumentam que anos de pressão para a diminuição da previdência deixaram um programa cheio de obstáculos que afastam os pobres, mesmo em tempos difíceis.

Mesmo alguns defensores do programa estão alarmados.

"Há muitos motivos para preocupação", disse Ron Haskins, ex-congressista republicano que ajudou a criar a lei que modificou o sistema previdenciário em 1996. "A estrutura geral não funciona como foi criada para funcionar. Nós esperaríamos que quando a recessão acontecesse, as pessoas voltassem à previdência".

"Quando começamos isso, governadores democratas e republicanos igualmente diziam, 'Nós sabemos o que é melhor para nosso Estado, não deixaremos as pessoas passarem fome'", disse Haskins, que agora é pesquisadores na Instituição Brookings em Washington. "E agora que as cartas estão na mesa e o desemprego está aumentando, a maioria dos Estados não faz o suficiente para ajudar as famílias a receberem ajuda".

Por JASON DEPARLE

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