Prevenção em comportamento de risco é negligenciada na luta contra Aids, dizem especialistas

CIDADE DO MÉXICO ¿ Enquanto o mundo aguarda descobertas dos novos testes de prevenção a Aids, milhões de pessoas se infectam porque os governos estão negligenciando estudos que mostram que mudanças comportamentais funcionam, disseram especialistas da doença na terça-feira.

The New York Times |

Entre as mudanças de comportamento, os especialistas citaram: promover sexo seguro adiando a relação sexual e usando camisinhas, diminuir abuso de drogas, fornecer acesso aos programas de troca de agulhas e promover a circuncisão masculina.

Mas sozinha, nenhuma das medidas é uma simples solução para prevenir a infecção com o HIV, o vírus que causa a Aids, afirmam os especialistas em vários relatórios na 17ª Conferência Internacional da Aids aqui.

             Clique na imagem para ver o infográfico sobre a conferência

Mulher passa por cartaz da conferência na Cidade do México

Os especialistas afirmam que as características da epidemia global variam muito entre os países, que, em sua maioria, não focam os recursos de prevenção onde os surtos estão concentrados. Combinar essas medidas e realizá-las em uma escala maior é crucial para reverter tal epidemia global de HIV, eles dizem.

Funcionários da saúde tiveram sucessos iniciais em fornecer drogas anti-retrovirais para tratar cerca de 3 milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas outras milhares precisam desses remédios e inúmeros estão se infectando.

O mundo não pode se livrar da epidemia de Aids, dizem muitos especialistas, e existe um debate científico sobre a extensão que a terapia anti-retroviral pode reduzir a transmissão do vírus. Há uma necessidade urgente de combinar a prevenção ao HIV e esforços de tratamento, afirmaram os especialistas na terça-feira.

Pesquisadores envolvidos em cada campo precisam se unir hoje, disse o dr. Myron S. Cohen, da Universidade da Carolina do Norte. Precisamos nos tornar uma única comunidade.

Prevenção e percepção

Um comitê de 50 integrantes conhecido como Grupo de Trabalho pela Prevenção Global ao HIV, que é sustentado pela Bill & Melinda Gates Foundation, publicou um relatório dizendo que esforços de prevenção devem abranger vários problemas de percepção.

Um deles é o pessimismo errado sobre a efetividade das estratégias de prevenção ao HIV. Um segundo é confundir a dificuldade em mudar o comportamento humano com a incapacidade de fazer isso. Um terceiro é uma idéia errada de que como é inerentemente difícil medir o sucesso de medidas preventivas, esses esforços não têm impacto algum, afirma o relatório.

Após três estudos cientificamente controlados mostrarem que a circuncisão de homens adultos ajuda a prevenir infecção pelo HIV, algum progresso foi feito na oferta do procedimento. Mas nenhum país teve sucesso em educar completamente sua sociedade sobre os benefícios da circuncisão, de acordo com a PSI, uma organização sem fins lucrativos de Washington.

O dr. Adeeba Kamarulzaman, da Malásia, disse que fora da África, cerca de 30% das infecções do HIV são entre usuários de drogas intravenosas. Mas por causa do estigma e falta de recursos, o mundo não consegue fornecer medidas como uso da metadona (substância narcótica sintética usada no tratamento de viciados em heroína) e doação de agulhas que podem ajudar essas pessoas.

Ao mesmo tempo, o The Lancet, um jornal médico de Londres, lançou uma série de estudos sobre prevenção do HIV que serão publicados no sábado. Estratégias comportamentais precisam se tornar mais sofisticadas e essa tarefa não é fácil, escreveu Thomas J. Coates, da Universidade da Califórnia, em um artigo. Ao expandir programas de prevenção, ele afirma, os governos precisam se certificar que eles os programas certos sejam implementados.

O dr. Jorge Saavedra, diretor do programa de HIV-Aids do México, disse que respostas nacionais de Aids precisam envolver mais homens gays e bissexuais para planejar maneiras de alcançar indivíduos com comportamento de risco. Se os líderes políticos não seguirem as evidências epidemiológicas e científicas e dirigirem esforços onde eles são mais necessários, perderemos a luta contra o HIV, ele diz.

- Lawrence K. Altman

    Leia tudo sobre: aids

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG