Pressionado, Israel procura nova política para Faixa de Gaza

Três anos depois da imposição de embargo à região, tentativa de enfraquecer o Hamas fracassou

The New York Times |

Três anos depois que Israel e o Egito impuseram um embargo a este turbulento enclave palestino, fechando sua economia, chegou-se ao consenso importante de que a tentativa de enfraquecer e afastar do poder o partido do governo, o Hamas, fracassou.

Desde que Israel confrontou uma flotilha que tentava acabar com o cerco resultando na morte de diversos ativistas, este consenso recebeu ares de urgência, com potências mundiais, palestinos anti-Hamas da Faixa de Gaza e oficiais israelenses de alto escalão pedindo uma mudança.

© AP
Palestino mostra fábrica de roupas de Gaza, fechada pela impossibilidade de importar ou exportar (10/06)

Em seus três anos no poder, o Hamas conquistou o controle não apenas da segurança, educação e sistema de Justiça mas também da economia, regulando e cobrando tributos sobre o extenso sistema de túneis de contrabando que ligam a região ao Egito.

No processo, a comunidade comercial amplamente pró-Ocidente foi marginalizada.

Isso pode estar prestes a mudar.

"Nós precisamos construir um setor privado legítimo na Faixa de Gaza como um forte contrapeso ao extremismo", disse Tony Blair, que serve como elo entre a comunidade internacional e os palestinos, refletindo a opinião do governo Obama. "Uma Faixa de Gaza dependente de túneis e ajuda externa não é uma boa ideia".

Comerciantes da Faixa de Gaza dizem que, ao fechar o comércio legítimo, Israel ajudou o Hamas a acirrar seu domínio. E ao permitir a entrada de alimentos para os mercados, mas não de materiais necessários para a indústria, Israel ajuda a manter a Faixa de Gaza como uma sociedade dependente da ajuda do bem-estar social, o tipo de local onde o extremismo pode florescer.

Autoridades israelenses dizem que têm trabalhado há meses na mudança de sua política, mas que querem evitar ajudar o Hamas ou possibilitar novos ataques de foguetes a Israel.

Eles estão menos convencidos do que os líderes estrangeiros sobre os benefícios de uma investida completa na comunidade comercial da região, mas parecem ver espaço para uma maior atividade.

Para Israel, qualquer mudança na Faixa de Gaza é complicada pelo fato de o Hamas manter sequestrado um soldado israelense há quatro anos. Além disso, Israel não quer que o Hamas ou seus parceiros recebam crédito pelo novo alívio.

Por Ethan Bronner

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