Pressão para saída de Mubarak causa reação diplomática dos EUA

Washington se esforça para equilibrar laços com Egito, com medo de acabar do 'lado errado' da história

The New York Times |

No último domingo, um jato azul e branco da Força Aérea deixou a Base Andrews com destino ao Cairo. A bordo estava Frank G. Wisner, um hábil ex-diplomata a quem, horas antes, o presidente americano, Barack Obama, havia pedido para empreender uma missão extremamente delicada: ajudar a tirar o presidente Hosni Mubarak do poder no Egito.

A história de como Mubarak, um autocrata árabe, que no mês passado era o pilar da política externa americana em uma região turbulenta, de repente viu-se pressionado a deixar opoder é, antes de mais nada, uma espécie de fábula árabe.

Mas sua história também envolve cálculos políticos, no Cairo e em Washington, cada vez mais abalados conforme a multidão aumentava. E é a história da árdua tarefa da Casa Branca de Obama – com o pedido de Obama para que a mudança comece "agora" – para acompanhar um movimento pela democracia que tem se desdobrado tão rapidamente que Washington chegou perto de ser deixada para trás.

"Toda vez que o governo dizia alguma coisa, suas palavras eram imediatamente ultrapassadas pelos acontecimentos na região", disse Robert Malley, Diretor do Programa para Oriente Médio e Norte do International Crisis Group.

No Cairo, os protestos levaram Mubarak a se cercar de líderes militares atuais e antigos, incluindo seu novo vice-presidente, chamado às pressas. Mas em vez de protegê-lo, há crescentes evidências de que, nos últimos três dias, o estabelecimento militar – uma das instituições mais respeitadas na sociedade egípcia e agente crucial na decisão do controle das ruas – pode estar inclinado a derrubar Mubarak.

Em Washington, por outro lado, o governo está se esforçando para equilibrar seus laços com Mubarak, o seu aliado mais fiel do mundo árabe, com seu medo de acabar do "lado errado" dessa história.

Tempestade política

Mas, após dias observando a escalada dos protestos nas ruas das cidades egípcias, oficiais do governo americano estão convencidos – alguns diante de sua primeira crise de segurança nacional – de que Mubarak provavelmente não irá resistir à tempestade política.

Em uma reunião de duas horas na Casa Branca no último sábado, a secretária de Estado Hillary Clinton sugeriu que o governo enviasse Wisner, ex-embaixador do Egito que conhece Mubarak, para entregar uma mensagem de Obama ao líder egípcio.

"Eles demoraram um pouco para se recuperar, mas na manhã de domingo perceberam que está tudo acabado e, desde então, entenderam como fazer tudo acontecer", disse Martin S. Indyk, diretor de política externa do think tank Brookings Institution.

*Por Mark Landler, Helene Cooper e David D. Kirkpatrick

    Leia tudo sobre: egitohosni mubarakdia da iraprotestosfrank wisner

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG