Presidente eleito não tem tempo para glorificações

WASHINGTON ¿ Nenhum presidente, desde que Barack Obama nasceu, assumiu o Salão Oval confrontado por tantos desafios acumulados lhe esperando. Historiadores estão comparando com alguns fatores de quando Abraham Lincoln assumiu o poder enquanto o país estava entrando em uma guerra civil ou quando Franklin D. Roosevelt chegou à Washington na época da Grande Depressão.

The New York Times |

A tarefa que Obama enfrentará não chega a tal ponto, mas estas são as comparações frequentemente citadas mesmo pelos democratas que estão festejando sua volta ao poder. Nos ombros do senador de 47 anos, que estava em seu primeiro mandato, com poder de inspiração ainda que sem experiência sólida no executivo, agora cai a responsabilidade de conduzir duas guerras, proteger a nação da ameaça terrorista e de juntar os pedaços de uma economia quebrada.

Dado a profundidade desses assuntos, Obama não tem muita escolha a não ser colocar seus braços em volta do caos, nas palavras de Leon E. Panetta, ex-chefe da Casa Branca que vem assessorando sua equipe de transição.

É melhor você fazer as coisas difíceis primeiro, porque se você adiar essas decisões e ficar passeando cautelosamente em volta dos problemas, você terá muito problema, disse Panetta. Faça as decisões que envolvam sofrimento e sacrifício em primeiro lugar.

Qual tipo de tomar de decisões e líder Obama será ainda não está claro mesmo para muito de seus partidários. Será que ele usará o capital político e agir sem hesitar ou atuará cautelosamente e correr o risco de ser paralisado pelas demandas competitivas de seu próprio partido? Seu desempenho sob a forte vigia durante o trajeto da campanha sugere uma figura impressionantemente calma e confiante sob uma enorme pressão, ainda assim alguém que raramente sai de seu caminho metódico pode ter uma recaída.

Isso nos leva a imaginar se sua passividade é a forma como ele lida com a maioria das coisas, disse John R. Bolton, ex-embaixador da ONU no governo Bush. Claro que isso indica um estilo de governar tranquilamente. Apesar de toda a conversa sobre a diplomacia de Bush, uma América passiva também não é o que eles querem.

Planos futuros

Assessores do Obama disseram que ele não será passivo e agirá rapidamente para mostrar liderança sem esperar pelo dia 20 de janeiro, quando irá assumir o poder. Ele pretende começar com a nomeação de três co-líderes de sua equipe de transição, nesta quarta-feira, incluindo John D. Podesta, ex-chefe de gabinete de Clinton; Valerie Jarret, assessora de Obama há muito tempo; e Pete Rouse, chefe de gabinete do Senado de Obama.

O próximo presidente também dará uma entrevista coletiva à imprensa e anunciará as pessoas que assumirão os cargos da Casa Branca até o fim da semana, disseram os assessores. O deputado de Illinois Rahm Emanuel, ex-assistente de Bill Clinton e amigo íntimo de Obama, deve se tornar chefe de gabinete da Casa Branca, disseram os democratas. Os assessores de Obama dizem que anteciparão a nomeação dos secretários de Estado e da Tesouraria para antes do Dia de Ação de Graças.

Enquanto Roosevelt se recusou a se envolver, falando sobre soluções para a economia, entre sua eleição em 1932 e sua posse, assessores de Obama concluíram que ele não poderá seguir esse exemplo e permanecer em silêncio até assumir o cargo. Segundo eles, ao mesmo tempo, Obama entende que ele não deve ultrapassar os limites e quer que sua posse seja uma marca que o separe do passado.

Aqueles que dizem para esperar e deixar o processo correr por dois meses antes que a posse seja equivocada, disse Jack Quinn, ex-oficial da administração de Clinton. Estamos em um momento tão conturbado que é absolutamente decisivo que ele coloque a mão na massa. Ele precisa fazer isso. Ele precisa estar no meio disso tudo.

Obama esteve conferindo com líderes do Congresso sobre um possível pacote de US$ 100 bilhões para serviços públicos, seguro-desemprego, assistência para aquecimento no inverno, alimentação e assistência às cidades e Estados pelas quais poderão passar durante as nomeações do congresso na semana de 17 de novembro.

Ele também tem falado regularmente com o secretário do Tesouro Henry M. Paulson Jr. sobre a situação econômica e as esperanças de fazer com ele um trabalho conjunto durante esse período, uma vez que Paulson decide como investir US$ 700 bilhões que ele recebe do Congresso para ajudar o sistema financeiro.

Mas há limites para a capacidade de Obama em agir em um período curto. A política de buscar um pacote durante essa transição de governos pode ser difícil, enquanto ele tenta equilibrar a demanda reprimida dos vitoriosos democratas para usar o poder do pacote, sabendo que Bush ainda segura a caneta que pode vetar a proposta por mais 77 dias. No fim, disseram os democratas, Obama e os líderes do Congresso guardarão seus planos caso Bush e o Senado republicano não concorde com eles e voltarão com eles em janeiro, quando tiverem o controle de tudo.

Limites

Se ele aparecer demais e se envolver demais em disputas políticas antes de tomar posse, quando ele tiver controle da bucrocracia federal, isso poderia se voltar contra ele, disse Elaine C. Kamarck, que foi assessora da política doméstica da vice-presidente de Al Gore, nos anos 90. Esse é um equilíbrio delicado que ele deve ter.


Mesmo com qualquer colaboração que possa haver em curto prazo, Obama representa representa o fim da era Bush a longo prazo. Além disso, ele terá que lidar com o legado de Bush nos próximos anos. Ele prometeu durante a campanha que iria fechar a prisão militar dos EUA na Baía de Guantánamo, Cuba, mas analistas de ambos os partidos consideram que isso será mais difícil do que ele imagina. Ele herdará um déficit que pode se aproximar de US$ 1 trilhão no próximo ano, o que pode atrapalhar suas ambições, como expandir a cobertura da saúde pública.

Como resultado, a mudança dos discursos da campanha para a realidade dos corredores do governo poderiam se provar turbulenta. E os discursos espirituosos de Obama têm criado tanta expectativa que há um grande perigo de decepção. Ele falou durante a campanha de uma nova política unindo republicanos e democratas. Mas se ele realmente trabalhar com os republicanos para encontrar interesses em comum em assuntos como o Iraque, terrorismo e mudanças climáticas, ele corre o risco de fugir de suas bases liberais.

Você tende a fazer campanha em preto e branco. Você tende a governar em cinza, disse Richard N. Haass, presidente do Conselho de Relações Exteriores que trabalhou com quatro presidentes e mais recentemente Bush. 

Por PETER BAKER

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