Presidente do Brasil revela melhorias para forças militares do país

BRASÍLIA - O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, revelou uma nova estratégia de defesa nacional na quinta-feira, que implementará a melhoria das forças militares e a recriação da indústria de defesa. O plano também pede um debate nacional sobre a necessidade do serviço militar ser obrigatório e como profissionalizar as forças armadas.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

Com a presença dos comandantes do exército, marinha e aeronáutica do Brasil, Lula disse em discurso na capital, que apesar de sua história pacífica, o país precisará de uma defesa maior contra possíveis agressões caso queira se tornar uma potência mundial.

A nova estratégia, em desenvolvimento há mais de um ano, pede que o Brasil invista mais em tecnologia militar, inclusive satélites, e construa uma frota de submarinos nucleares que seriam usados para proteger a costa do país e suas plataformas de extração de petróleo. A proposta também pede uma expansão das forças armadas para proteger a fronteira da Amazônia e treinar novamente tropas para que sejam capazes de confrontar situações de conflito rápidos no estilo guerrilha.

"A visão brasileira do papel de suas forças militares cabe bem no crescimento da seriedade internacional do país, além de sua capacidade econômica e institucional", disse Michael Shifter, vice-presidente do Inter-American Dialogue, um grupo de pesquisa baseado em Washington. "O Brasil busca ser uma potência nacional mais coesa e isso exige a exerção de um controle total sobre seu território e suas fronteiras".

Apesar da recente expansão econômica e do forte papel que os militares tradicionalmente tiveram na sociedade brasileira, os gastos com defesa estagnaram e o nível de tropas permaneceu em cerca de 312 mil, disse o governo. O Brasil gastou uma proporção menor de seu PIB em 2006 em defesa do que quatro de seus vizinhos sul-americanos (Bolívia, Chile, Equador e Colômbia), de acordo com a Rede de Segurança e Defesa da América Latina, um grupo baseado em Buenos Aires.

Vizinhos

A nova estratégia militar do presidente, divulgada em um documento de 101 páginas, foi apresentada em um momento em que o tráfico de drogas aumenta continuamente ao longo das fronteiras amazônicas do país e alguns dos países vizinhos (como Venezuela, Colômbia e Chile) melhoraram suas forças militares. A Venezuela tem sido particularmente ativa, comprando US$4 bilhões em armas da Rússia.

As autoridades brasileiras negam que a compra de armas da Venezuela, suas forças armadas ou planos da Marinha norte-americana em reviver a 4ª Frota para patrulhar o Atlântico Sul tenha influência direta na criação de uma nova estratégia militar.

"Nós não nos preocupamos com a força de nossos vizinhos, mas sim com nossa própria fraqueza", disse Roberto Mangabeira Unger, ministro de assuntos estratégicos e co-autor do plano. "A estratégia de defesa nacional não é uma resposta circunstancial a problemas circunstanciais. É uma ação de longo alcance, uma mudança no curso e uma mudança de direção".

As relações entre Brasil e Venezuela permanecem amigáveis e os líderes da América Latina buscam união regional para lidar com a recessão global. Lula e o presidente Hugo Chávez da Venezuela pressionam pela criação de um conselho de defesa sul-americano, uma ideia que foi debatida no encontro de líderes da região que aconteceu no Brasil essa semana.

A nova estratégia de defesa pede que o Brasil se torne mais independente da tecnologia militar de outros países. Ela enfatiza a reorganização do setor de defesa do país para que se concentre na formação de parcerias com outros países e se envolva na criação de novas tecnologias. "Nós já não temos interesse em comprar armas prontas", disse Mangabeira Unger.

Reestruturação

As autoridades brasileiras contactaram inúmeros países sobre a possibilidade de parcerias, incluindo Estados Unidos, Índia, França, Rússia e Grã-Bretanha.

O exército brasileiro será remodelado para se tornar uma força mais móvel e ágil. Apenas cerca de 10% de seus soldados atualmente são treinados para uma ação rápida. Todo o exército seria reconstituído para isso, "então um soldado também será um guerrilheiro", disse Mangabeira Unger.

O plano também envolve reforçar leis existentes sobre a obrigatoriedade do serviço militar, para que pessoas de todas as classes, e não apenas os pobres, tenham que participar do treinamento, o que criaria uma força de combate mais qualificada.

"Este será um novo debate para o Brasil sobre sacrifício nacional", disse Mangabeira Unger. "Não houve um momento na história do país em que tivemos um debate similar ao que espero que teremos agora".

Por ALEXEI BARRIONUEVO

Leia mais sobre Brasil

    Leia tudo sobre: brasil

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG