Presença do Taleban no Paquistão gera preocupações nos EUA

WASHINGTON - Há uma crescente preocupação entre militares e agentes de inteligência americanos sobre os redutos do Taleban no Paquistão, que eles temem que possam prejudicar os esforços do Estados Unidos no Afeganistão este ano.

The New York Times |

Os oficiais americanos se concentram cada vez mais na cidade paquistanesa de Quetta, onde acredita-se que líderes Talebans agem para representar um papel significativo na violência existente no sul do Afeganistão.

As operações do Taleban em Quetta são diferentes de suas operações nas regiões tribais montanhosas que até agora representavam a zona de maior desconforto americano.

Mas conforme os Estados Unidos se preparam para alocar outros 30 mil soldados no Afeganistão, oficiais militares e de inteligência dizem que o esforço pode ser inútil a menos que seja concentrado em matar ou capturar líderes do Taleban em Quetta e cortar os canais de suprimento do grupo ao Afeganistão.

De Quetta, líderes do Taleban como Mullah Muhammad Omar, um recluso clérigo de um olho só, guiam comandantes no sul do Afeganistão, arrecadam dinheiro de ricos doadores do Golfo Pérsico e entregam armas e combatentes ao campo de batalha, de acordo com a gestão Obama e oficiais militares.

"Quando a liderança está onde não se pode prendê-la, tudo se torna mais difícil", disse o general Dan K. McNeill, que até junho era o comandante americano sênior no Afeganistão e se aposentou recentemente. "Você é impedido de fazer o que quer".

Os líderes do Taleban têm operado de Quetta há muitos anos, mas o aumento na violência no sul do Afeganistão sugere que o fluxo de armas, combatentes e dinheiro que chegam ao local vindos desta cidade paquistanesa pode estar aumentando.

Quetta, capital da província de Baluchistan, confina as províncias do sul do Afeganistão onde os confrontos mais difíceis ocorrem. Oficiais da inteligência americana disseram que dezenas de militantes que se pensava serem líderes Taleban na região se escondem provavelmente em campos de refugiados afegãos perto de Quetta ou em um dos bairros da cidade.

Generais da Otan e diplomatas há muito reclamam que o controle e comando dos militantes Talebans partem do Paquistão, e que serviços de segurança paquistaneses ignoram a ameaça. Oficias paquistaneses disseram que há falta de inteligência confiável sobre a localização específica dos líderes do Taleban, afirmações que algumas agências americanas recebem com ceticismo.

"Nós fizemos algum progresso indo a regiões tribais e na fronteira norte contra a Al-Qaeda, mas não tivemos uma resposta a altura em relação aos militantes em Quetta", disse um oficial administrativo sênior da gestão Obama.

- ERIC SCHMITT e MARK MAZZETTI

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