Fundador acusa homens vinculados ao Ministério da Cultura de tentar se apropriar de premiação criada como contraponto ao Nobel da Paz

Quando o comitê do Prêmio Nobel indicou no ano passado que concederia o cobiçado Prêmio da Paz para Liu Xiaobo , um escritor dissidente chinês, um grupo de patriotas locais decidiu responder à altura: ofereceriam seu próprio prêmio internacional, o chamado Prêmio Confúcio da Paz .

Foto de Liu Xiaobo é visto na sede do Prêmio Nobel em Oslo, na Noruega (10/12/2010)
AFP
Foto de Liu Xiaobo é visto na sede do Prêmio Nobel em Oslo, na Noruega (10/12/2010)
Mas foi divulgado no site do Ministério da Cultura em 27 de setembro que o prêmio seria cancelado e o grupo responsável, dissolvido. Isso atraiu a indignação dos organizadores, que dizem que foram vítimas de intrigas políticas.

Um homem que se autodenomina o fundador do prêmio, Liu Haofeng, disse em uma entrevista por telefone na sexta-feira que um outro grupo de "homens ricos e poderosos" - que contaria com o apoio do Ministério da Cultura - está tentando tomar conta do seu prêmio. Esse grupo rival quer oferecer um Prêmio da Paz Mundial Confúcio e tenta forçar Liu e seus companheiros a abandonar a sua ideia, disse Liu.

Em dezembro passado, a entrega do primeiro prêmio Confúcio atraiu a imprensa estrangeira e chinesa, mas ninguém conseguia identificar a relação exata entre os organizadores e o Ministério da Cultura. Liu disse que ele tentou obter o apoio do ministério no ano passado, mas que o processo era "muito difícil". O grupo prosseguiu com a cerimônia em 9 de dezembro.

Este ano, disse, os organizadores não se preocuparam em tentar entrar em contato com o ministério, apesar de terem uma certa ligação com o governo: o grupo se chama Departamento de Proteção da Cultura Tradicional e opera sob a Associação de Artes Indígenas da China, que é registrada no Ministério da Cultura.

O fiasco aconteceu depois que alguns dos outros organizadores do comitê para o prêmio do ano passado se juntaram ao grupo rival, a Fundação para o Desenvolvimento da Cultura Social da China, disse Wang. O grupo decidiu, então, iniciar o Prêmio da Paz Mundial Confúcio. Um dos diretores adjuntos grupo, Tan Changliu, foi presidente do comitê do prêmio original no ano passado.

Jiang Ye, vice-secretário geral do bem relacionado grupo rival, disse que o prêmio original foi ilegal porque não havia sido autorizado pelo Ministério da Cultura. Um porta-voz do Ministério da Cultura desligou o telefone quando questionado sobre a disputa. Liu e Wang disseram que ainda pretendem entregar o seu prêmio Confúcio em 9 de dezembro.

*Por Edward Wong

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