Premiê iraquiano e partidos não religiosos mostram ganhos em eleições provinciais

BAGDÁ ¿ O primeiro-ministro Kamal al-Maliki e diversos partidos não religiosos parecem obter ganhos significativos nas eleições provinciais do Iraque realizadas no sábado, segundo os resultados preliminares do domingo.

The New York Times |

Se esses resultados se mantiverem, o primeiro-ministro poderá fortalecer acordos com o parlamento antes das eleições gerais marcadas para o próximo ano. Dawa, o partido de Al-Maliki, obteve forte apoio em Basra e Bagdá, duas das maiores e mais importantes províncias iraquianas, de acordo com partidos políticos e autoridades eleitorais que falaram na condição de anonimato porque não estavam autorizados a divulgar resultados preliminares.

O relativo sucesso de partidos seculares pode significar que um grande número de iraquianos está desiludido com os partidos religiosos que estão no poder, mas que fizeram pouco para garantir serviços básicos.

Os americanos pressionaram pelas eleições provinciais como um meio de redistribuir o poder pelo país de maneira justa depois que muitos iraquianos boicotaram as eleições de 2005. Não está claro se o baixo comparecimento de 51% da população , poderá conter as esperanças de que todos os segmentos da sociedade iraquianas e todos os grupos étnicos estejam devidamente representados.

Reuters
Iraquianos votam em Fallujah, a 50km de Bagdá

Faraj al-Haideri, chefe da Comissão Eleitoral Independente, descreveu que as eleições foram justas na medida em que não houve nenhuma evidência de fraude. Ele disse que a comissão estava muito satisfeita com o comparecimento, adicionando que muito raramente, em outras partes do mundo, você pode ver tanta gente votando em uma eleição regional.

O baixo comparecimento de apenas 40% na província de Anbar foi uma surpresa porque a região, durante anos atingida por revoltas, está agora relativamente calma e muitas pessoas estavam ansiosas para votar porque tinham boicotado as eleições de 2005. Apesar do número em Anbar, a comissão eleitoral disse que a participação dos sunitas foi maior do que em 2005.

Confusões impediram votação

Um menor comparecimento parece refletir a confusão a respeito dos procedimentos de votação assim como a apatia dos eleitores. Houve reclamações pelo país de iraquianos que tentaram votar, mas não estavam aptos.  Muitos foram impedidos devido ao rígido toque de recolher ou porque seus nomes não contavam no centro de votação.

Parte de problema foi causada pelo grande número de iraquianos desalojados que já não vivem nas províncias onde estavam registrados. Cerca de 1 milhão de iraquianos foram desalojados, resultado do sectarismo e dos conflitos étnicos dos últimos cinco anos, e enquanto alguns retornaram, a maioria está vivendo fora de sua província natal.

Ainda é cedo para dizer se as pessoas que foram impedidas de votar vão procurar um ressarcimento ou vão recorrer à violência ¿ ou simplesmente vão se conformar em não ter voz ativa.

A maioria dos partidos disse que não estava planejando questionar os resultados, não por enquanto, apesar de alguns dizerem que ainda não decidiram e que estavam conversando com a comissão eleitoral.

Por ALISSA J. RUBIN

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