Possível intervenção na Líbia leva a discórdia em Washington

Depois de ajudar a derrubar líderes no Oriente Médio e iniciar guerras do Afeganistão e Iraque, EUA ficam receosos sobre ação

The New York Times |

Quase três semanas depois de a Líbia começar o que pode se transformar em uma prolongada guerra civil, a política de intervenção militar para acelerar a expulsão de Muamar Kadafi se torna mais complicada a cada dia – tanto para a Casa Branca quanto para os republicanos.

Na segunda-feira, o presidente americano, Barack Obama, tentou aumentar a pressão sobre Kadafi ainda falando sobre "uma gama de opções possíveis, incluindo potenciais opções militares" contra o líder líbio. Apesar da declaração de Obama, entrevistas com oficiais militares e outros funcionários do governo descrevem uma série de riscos, alguns táticos e outros políticos, para a intervenção dos Estados Unidos na Líbia.

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Rebelde líbio se prepara para lançar ataque contra forças pró-Kadafi, em Ras Lanuf, na Líbia (9/3/2011)
A maior preocupação para o presidente, segundo um assessor de alto escalão, é a percepção de que os Estados Unidos estejam mais uma vez se intrometendo no Oriente Médio, onde já ajudaram a derrubar muitos líderes. Alguns críticos dos Estados Unidos na região – assim como alguns líderes – já afirmam que uma conspiração ocidental está atiçando as revoluções em todo o Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, há uma gama de vozes persistentes argumentando que Obama está agindo muito lentamente. Eles argumentam que há muita preocupação sobre quais serão as percepções sobre qualquer atitude tomada pelos Estados Unidos e que a Casa Branca está demasiado prejudicada por causa do Iraque.

Alguns desses críticos parecem motivados por vantagens políticas. Outros, incluindo John Kerry, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que está entre os aliados mais próximos de Obama, alertam para a possível repetição dos erros cometidos no Iraque, Curdistão, Ruanda e Bósnia-Herzegovina, ao não intervir e deter a matança.

O lado mais exasperado, liderado pelos senadores John McCain e Joseph I. Lieberman, diz que a justificativa central para o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia é que os líderes rebeldes buscam assistência militar para por fim a décadas de ditadura.

Lieberman e outros argumentam que os riscos de esperar podem ser muito maiores do que o risco de uma intervenção militar precoce e decisiva. Ele reconheceu que, como no Iraque, os Estados Unidos poderiam desencadear um futuro incerto num país que não tem instituições preparadas para preencher o vácuo se Kadafi for expulso do poder. No entanto, ele argumentou: "É difícil imaginar que qualquer governo novo irá surgir desta oposição, que é pior do que o próprio Kadafi".

Para o governo, a opinião de Kerry é mais preocupante, dado que ele normalmente é um forte aliado em questões de política externa. Ele foi um crítico feroz da guerra no Iraque, mas vê a Líbia como algo diferente. "O que me assombra é o espectro do Iraque de 1991", disse sobre quando o presidente George H. W. Bush "pediu aos xiitas que se levantassem e eles se levantaram". "Mas nós não estávamos lá quando tanques e aviões os atacaram. Dezenas de milhares foram massacrados", disse Kerry.

*Por David E. Sanger e Thom Shanker

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