Posse de Obama gera recorde no uso da internet nos EUA

Milhões de trabalhadores americanos ajudaram a estabelecer recordes de tráfego online na terça-feira ao acompanhar pela internet a cerimônia de posse (ou pelo menos tentar). A enorme demanda significou que alguns websites e redes de dados tiveram dificuldades em manter o fluxo, forçando muitas pessoas a utilizarem mídias menos avançadas.

The New York Times |



"Foi realmente frustrante ter toda esta tecnologia e não conseguir acompanhar o discurso", disse Dan Robinson, que coordena a bilheteria da Escola Julliard School em Nova York. "Eu tive que usar uma tevê dos anos 1980 e antenas para assistir à posse".

O tráfego online nos Estados Unidos atingiu uma alta recorde no começo do discurso do presidente Barack Obama quando pessoas assistiam, liam e comentavam a posse, de acordo com Bill Woodcock, diretor de pesquisa da Packet Clearing House, uma organização sem fins lucrativos que analisa o tráfego na internet. Os números ultrapassaram o recorde anterior estabelecido no dia que Obama foi eleito.

"A alta foi a maior já registrada no país e parece ser um fenômeno principalmente americano", disse Woodcock, acrescentando que não parece que recordes internacionais tenham sido estabelecidos.

Quando as pessoas verificam resultados eleitorais ou de um grande jogo elas tendem a produzir um volume de tráfego que se espalha ao longo de algumas horas. Na terça-feira, todos queriam assistir vídeos ao mesmo tempo e isso gerou uma transmissão maciça de dados das centrais de mídia para as pessoas em suas casas e escritórios.


A rede de TV CNN se associou ao Facebook na transmissão da posse pela internet / NYT

Dados da CNN.com capturaram a singularidade do uso da internet na terça-feira. A CNN disse ter oferecido mais de 21,3 milhões de transmissões de vídeos durante um período de nove horas. O número é muito maior do que as 5,3 milhões transmissões durante o Dia da Eleição. No seu auge, a CNN.com alimentou 1,3 milhões de transmissões simultâneas, de acordo com Jennifer Martin, porta-voz do site.

A Akamai, que ajuda companhias a cumprirem a demanda por seus serviços online, trabalhou em conjunto com companhias como o The New York Times, o The Wall Street Journal e a Viacom para transmitir vídeos ao vivo. O dia foi de recorde para ela também, chegando a transmitir 7 milhões de vídeos simultaneamente a certa altura.

A vantagem da televisão

Ainda que os números sejam impressionante, pessoas que não conseguiram acessar os vídeos ficaram pouco impressionadas com a tecnologia da internet. Estas pessoas ressaltaram uma vantagem da antiga televisão: seus telespectadores não têm que competir uns com os outros para acessar um canal.

"Eu não consegui ver nada", disse Daniel Wild, editor do website da Escola de Medicina da Universidade de Nova York. "No final, eu vi apenas imagens congeladas de partes do que aconteceu".

A CNN tentou acalmar quem não conseguiu acessar a transmissão ao vivo publicando um aviso aos visitantes dizendo que estavam na fila para receber a transmissão.

"Nós construímos capacidade para que o CNN.com Live lidasse com muito mais do que seria, dentro do nosso conhecimento, o evento mais acompanhado pela internet na história", disse Martin.

A porta-voz do The Times, Stacy Green, disse que seu site transmitiu mais vídeos do que o esperado e que "não houve grandes problemas".

Os problemas de acesso podem ter resultado mais da limitação da capacidade de acesso à internet nas casas e escritórios do que na falta de banda das companhias de mídia, de acordo com Woodcock. Os Estados Unidos continuam a sofrer com bandas pouco resistentes, que Woodstock atribuiu à pouca atenção dada pelo governo e à limitada concorrência entre provedores de serviço como a AT&T e a Comcast. Obama, na verdade, mencionou a questão no próprio discurso que as pessoas tentavam assistir.

"Tivemos oito anos de estagnação e precisamos resolver problemas como este", disse Woodcock.

Por ASHLEE VANCE

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