Por que a crise na Líbia levou a um aumento do preço do petróleo

País produz menos de 2% da quantidade mundial, mas o petróleo de melhor qualidade que possui aumenta sua importância no mercado

The New York Times |

O preço do petróleo atingiu US$ 100 o barril nos Estados Unidos na quarta-feira, o valor mais elevado em mais de dois anos, conforme os fluxos de petróleo do Oriente Médio foram interrompidos nesta semana pela primeira vez desde o início do tumulto na região.

AP
Posto de combustíveis em Easthampton, Massachusetts, explica aos consumidores alta inesperada nos preços, relacionando-a aos conflitos nos países árabes
Empresas multinacionais de petróleo reduziram a produção na Líbia conforme os manifestantes se envolvem em confrontos violentos com o governo de Muamar Kadafi.

Analistas estimam que mais de 1 milhão de barris de petróleo da Líbia por dia foram retirados dos mercados mundiais nos últimos dias, e os investidores temem que a produção de mais petróleo possa ser interrompida se a inquietação se estender a outras nações produtoras cruciais, como a Argélia.

Mais amplamente - os economistas estão preocupados que se o preço do petróleo permanecer alto neste ano -, isso poderia retardar a já frágil recuperação econômica global. Como regra geral, cada aumento de US$10 no preço do barril de petróleo reduz o crescimento do produto interno bruto em meio ponto percentual dentro de dois anos.

Qualidade

A Líbia produz menos de 2% do petróleo do mundo e exporta pouco para os Estados Unidos. Mas a alta qualidade de suas reservas amplia sua importância no mercado mundial.

O petróleo "doce" (com teor de enxofre abaixo de 0,5%) da Líbia não pode ser facilmente substituído na produção de gasolina, diesel e querosene de aviação, principalmente porque as refinarias europeias e asiáticas não estão equipadas para refinar o petróleo mais comum, o "azedo" (com teor de enxofre acima de 2,5%).

A Arábia Saudita tem uma capacidade diária de mais de 4 milhões de barris de reserva e prometeu disponibilizá-la se necessário, mas essa a capacidade envolve principalmente as classes azedas do petróleo.

Especialistas em petróleo preveem que se a turbulência na Líbia durar mais algumas semanas, as refinadoras europeias serão forçadas a comprar petróleo bruto doce da Argélia e da Nigéria, duas principais fontes de petróleo bruto doce dos Estados Unidos.

Isso provavelmente elevaria os preços da gasolina dos Estados Unidos, que já subiu US$ 0,06 por galão na semana passada chegando a uma média de US$ 3,19.

"Isso vai levar todas as refinarias de petróleo doce a uma disputa", disse Lawrence J. Goldstein, diretor da Fundação de Pesquisa de Política Energética, uma organização co-financiada pela indústria do petróleo. "A qualidade importa mais do que a quantidade".

O petróleo doce é "particularmente apropriado para a produção de diesel", que é muito mais popular como combustível para transporte na Europa do que nos Estados Unidos. "O petróleo azedo é mais caro para refinar, mas as refinarias dos Estados Unidos são tipicamente equipadas para refiná-lo, porque muito do petróleo importado para os Estados Unidos vem da América Latina, onde as reservas contêm esse tipo de petróleo", explicou.

*Por Clifford Krauss

    Leia tudo sobre: líbiapetróleokadafiprotestosalta do preços

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG