líderes reunidos em Londres na semana passada, o valor representa uma evidência de que a cúpula teve resultados impressionantes." / líderes reunidos em Londres na semana passada, o valor representa uma evidência de que a cúpula teve resultados impressionantes." /

Por enquanto, promessa de US$ 1 tri do G20 parece boa só no papel

WASHINGTON - O número é extraordinário, mas o momento também: US$ 1,1 trilhão em ajuda que serão injetados no sistema financeiro mundial. Para os http://ultimosegundo.ig.com.br/g20/ target=_toplíderes reunidos em Londres na semana passada, o valor representa uma evidência de que a cúpula teve resultados impressionantes.

The New York Times |

Mas em uma análise mais próxima, o valor de US$ 1 trilhão parece tão otimista quanto as exorbitantes palavras do comunicado oficial emitido pelo Grupo dos 20 . Algum dinheiro ainda precisa ser comprometido, algum foi contado em dobro e algum não passa de "moeda sintética" que não é dinheiro real.

Uma vez que a recessão econômica global é pelo menos parcialmente uma crise de confiança, os especialistas disseram que houve valor em anunciar uma soma tão gigantesca - mesmo que tenha sido apenas hipotética. Os investidores ficaram impressionados conforme a mídia anunciou o valor sem parar para analisá-lo.

Mas alguns especialistas alertam que a matemática pode voltar para assombrar os líderes, principalmente se a economia não se recuperar ou se as principais promessas não se realizarem.

"A falta de algo correto nestes números é preocupante, porque no futuro eles terão que lidar com detalhes", disse Eswar S. Prasad, ex-chefe da divisão chinesa do Fundo Monetário Internacional que hoje é professor da Universidade Cornell.

Cerca de US$ 500 bilhões do US$ 1 trilhão representam um aumento direto no financiamento para o Fundo Monetário Internacional. Mas, segundo Prasad, menos da metade disto foi comprometido pelo Japão, União Europeia, Canadá e Noruega. A China deve injetar US$ 40 bilhões, através da compra de ações pelo fundo.

O secretário do Tesouro Timothy Geithner comprometeu os Estados Unidos com US$ 100 bilhões. Mas o valor precisa de autorização do Congresso, que os oficiais da gestão admitem ser um órgão cético em relação à ajuda externa e pode ser difícil de convencer por causa de seus gastos domésticos.

Mesmo contando os Estados Unidos, segundo Prasada, ainda seriam precisos US$ 145 bilhões dos US$ 500 bilhões em doações. Entre os possíveis doadores estão Arábia Saudita e outros Estado do Golfo Pérsico e mercados emergentes como a Índia. Sua disposição em pagar, no entanto, dependerá de receberem maior voz nos assuntos do fundo.

Para "impulsionar" o comércio mundial, nas palavras do primeiro-ministro britânico Gordon Brown, os líderes concordaram em comprometer US$ 250 bilhões em créditos mercantis nos próximos dois anos, além de US$ 100 bilhões em empréstimos para bancos de desenvolvimento multilateral que financiam países mais pobres.

"Juntas", disse Brown, "estas ações nos darão a confiança necessária de que a economia global pode voltar à tendência de crescimento mais rápido do que o previsto pelo Fundo Monetário Internacional".

Mas destes US$ 250 bilhões, segundo os especialistas, apenas um quarto representa dinheiro vivo: o financiamento comercial é adiantado em seis meses conforme as exportadoras recebem por seus produtos e repagam as agências que lhes emprestaram dinheiro. Assim, as agências emprestam o mesmo dinheiro. Também há a duplicação entre os US$ 250 bilhões e os US$ 100 bilhões para os bancos de desenvolvimento.

Na sua medida mais inovadora, o G20 autorizou o fundo monetário a emitir US$ 250 bilhões em SDR (Special Drawing Rights, ou Direitos Especiais de Saque) - uma "moeda virtual" cujo valor é estabelecido por uma seleção de moedas reais como o dólar, o euro e a libra esterlina. O FMI irá emitir os SDRs a todos seus 185 membros e em troca poderá emprestá-los aos países pobres.

Os Direitos Especiais de Saque não são dinheiro mas uma forma de crédito que um país pode usar como empréstimo. A gestão Obama, que concebeu a ideia e a passou ao G20, acredita que isso irá gerar entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões em crédito adicional para os países mais pobres.

Mas há um alerta aqui também. Para que o benefício do programa seja global, os Estados Unidos e Europa precisam emprestar seus SDRs. Nos Estados Unidos, isso exigirá aprovação do Congresso.

"Conforme disponibilizemos o empréstimo do FMI aos países que ainda não estão afundados na crise, isso será muito poderoso", disse Simon Johnson, professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

"Mas se os europeus se sentarem sobre o dinheiro, isso explodirá sobre eles", ele acrescentou. "Se o Congresso não aprovar, a situação pode ser terrível".

- MARK LANDLER

Leia mais sobre: G20

    Leia tudo sobre: g20

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG