Por trás da caça dos Estados Unidos a Osama bin Laden

Saiba mais detalhes sobre a longa operação americana que levou à morte do homem mais procurado do mundo

The New York Times | 03/05/2011 12:01

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Durante anos, a angustiante busca por Osama bin Laden deixou as autoridades americanas de mãos vazias. Então, em julho do ano passado, paquistaneses que trabalham para a CIA (agência de inteligência dos EUA) seguiram um Suzuki branco pelas movimentadas ruas próximas a Peshawar, no Paquistão, e anotaram a placa do carro.

O homem que estava dentro do veículo era o mensageiro mais confiável de Bin Laden, e durante o mês seguinte os agentes da CIA o seguiram por toda a região central do Paquistão. Finalmente, disseram autoridades do governo, ele os levou a uma fortaleza cercada por muros altos no final de uma longa estrada de terra em um povoado rico a cerca de 55 quilômetros da capital paquistanesa.

Oito meses depois, 79 agentes dos Estados Unidos em quatro helicópteros desceram sobre a fortaleza, disseram os oficiais. Tiros foram disparados. Um helicóptero quebrou e não conseguiu decolar. As autoridades paquistanesas, mantidas no escuro por seus aliados em Washington, reuniram suas forças enquanto os comandos americanos se apressavam para terminar a sua missão e sair dali antes de um confronto. Dos cinco mortos, um era um homem alto, barbudo, com o rosto ensanguentado e uma bala na cabeça. Um membro da equipe Seals da Marinha tirou uma foto dele com uma câmera e a enviou aos analistas que analisaram suas feições em um programa de reconhecimento facial.

E assim, a caça mais extensa, cara e irritante da história chegou ao fim. O corpo inerte de Osama bin Laden, o inimigo número 1 da América, foi colocado em um helicóptero para ser sepultado no mar e nunca mais ser visto ou temido novamente.

Foto: AFP PHOTO / FILES / HO

Imagem de 1988 mostra Osama bin Laden sorrindo em Jalalabad, no Afeganistão

Uma nação que passou uma década atormentada por seu fracasso em capturar o homem responsável por quase 3 mil mortes em Nova York, Washington e Pensilvânia em 11 de Setembro de 2001, finalmente conseguiu fechar o ciclo ou pelo menos este difícil capítulo.

Para uma comunidade de inteligência que tinha sofrido duras críticas por uma série de falhas ao longo da última década, matar Bin Laden trouxe uma espécie de redenção. Para militares que tem atravessado duas, e agora três guerras vexatórias em países muçulmanos, a operação ofereceu um sucesso puro. E para o presidente Barack Obama, cuja liderança em segurança nacional chegou a ser questionada, esse foi o momento de afirmar que sua gestão entrará para os livros de história.

O ataque foi o ápice de anos de árduo trabalho de inteligência, incluindo o interrogatório de presos da CIA em centros de detenção secretos na Europa Oriental, onde muitas vezes o que não era dito também era útil. As agências de inteligência interceptaram telefonemas e emails da família do mensageiro árabe em um Estado do Golfo Pérsico e se debruçaram sobre imagens de satélite da fortaleza localizada em Abbottabad para determinar um "padrão de vida" que pudesse decidir se a operação valeria o risco.

Segundo oficiais de inteligência da Casa Branca e do Pentágono, as últimas semanas foram uma estressante consideração de 'achismos' e cenários negativos. "Não havia uma reunião em que alguém não tenha mencionado ‘Black Hawk Down’", disse uma importante autoridade do governo, referindo-se à desastrosa batalha de 1993 na Somália em que dois helicópteros dos Estados Unidos foram abatidos e alguns de seus tripulantes mortos em ação. A missão que não conseguiu resgatar reféns no Irã, em 1980, também foi bastante mencionada.

Autoridades do governo ficaram divididos sobre a possibilidade de lançar a operação. Eles discutiram se deveriam esperar e continuar a acompanhar o caso até que tivessem mais certos de que Bin Laden realmente estava lá - ou se deveriam realizar um bombardeio aéreo, operação menos arriscada. No final, o presidente Barack Obama optou contra um ataque deste tipo, cujos danos poderiam impedir o governo de determinar se Bin Laden realmente havia sido atingido. Ele optou por enviar os militares. Uma opção "lute para sair" foi implementada no plano, com dois helicópteros dando apoio a outras duas aeronaves de ataque principais.

Foto: Divulgação/Casa Branca

Presidente Barack Obama e outras autoridades americana acompanham operação que culminou na morte de Osama bin Laden

Na tarde de domingo, quando os helicópteros sobrevoavam o território paquistanês, o presidente e seus assessores se reuniram na Sala de Situação da Casa Branca para acompanhar a operação em andamento. Na maior parte do tempo, todos permaneceram em silêncio. Segundo um assessor, Obama estava “sem expressão” e o vice-presidente Joe Biden tocava as contas de seu rosário. "Minutos passavam como dias", lembrou John O. Brennan, chefe de contraterrorismo da Casa Branca.

O codinome de Bin Laden era "Geronimo". O presidente e seus conselheiros assistiram Leon E. Panetta, o diretor da CIA, em uma tela de vídeo, narrando a partir da sede da agência o que estava acontecendo no longínquo Paquistão.

"Eles chegaram ao alvo", disse ele.

Minutos se passaram.

"Nós temos contato visual com Geronimo", disse ele.

Alguns minutos mais tarde: "Geronimo EKIA".

Era a sigla em inglês para “inimigo morto em ação” (“enemy killed in action”).

Houve um silêncio na sala.

Finalmente, o presidente falou.

"Nós o pegamos".

Preenchendo as lacunas

Anos antes do 11 de setembro de 2001 transformar Bin Laden no terrorista mais temido do mundo, a CIA começou a compilação de um dossiê detalhado sobre os principais atores dentro de sua rede de terrorismo global.

Foi só depois de 2002, quando a agência começou a prender membros da Al-Qaeda – e submetê-los a horas de sessões de interrogatório brutais em prisões secretas no exterior – que finalmente começou a preencher as lacunas sobre os soldados, mensageiros e homens do dinheiro nos quais Bin Laden confiava.

Os prisioneiros sob custódia dos Estados Unidos contaram histórias sobre um mensageiro de confiança. Quando os americanos conferiram o pseudônimo do homem com dois prisioneiros de alto escalão – o suposto mentor do 11 de Setembro, Khalid Sheikh Mohammed, e o chefe operacional da Al-Qaeda, Abu Faraj Al-Libi – os homens declararam nunca ter ouvido o seu nome. Isso levantou suspeitas entre os interrogadores de que os dois estivessem mentindo e de que o mensageiro provavelmente era uma figura importante.

À medida que a caçada a Osama bin Laden continuava, a agência de espionagem era golpeada em outras frentes: as fracassadas avaliações de inteligência sobre armas de destruição em massa que levaram à Guerra do Iraque e as intensas críticas por usar o afogamento e outros métodos extremos de interrogatório que, segundo críticos, viraram tortura.

Em 2005, muitos dentro da CIA chegaram à conclusão que a caça a Bin Laden havia esfriado, e o oficial superior da agência clandestina ordenou uma a revisão das ações de contraterrorismo. O resultado foi a Operação Cannonball, uma reorganização burocrática que colocou mais funcionários da CIA no Paquistão e no Afeganistão.

Com mais agentes em campo, a CIA finalmente conseguiu o nome do mensageiro. Com isso, eles se voltaram para seus maiores instrumentos de investigação: a Agência Nacional de Segurança começou a interceptar as chamadas telefônicas e mensagens de email entre a família do homem e qualquer um dentro do Paquistão. Com isso, eles chegaram a seu nome completo.

Em julho do ano passado, agentes paquistaneses que trabalham para a CIA viram o mensageiro dirigindo seu veículo perto de Peshawar. Quando, depois de semanas de vigilância, ele seguiu até a fortaleza localizada em Abbottabad, agentes de inteligência dos Estados Unidos sentiram estar perto de algo importante, talvez até do próprio Bin Laden. O local era muito diferente da caverna espartana nas montanhas que muitos imaginavam como seu esconderijo. Pelo contrário, era uma casa de três andares, cercada por altos muros de concreto cobertos com arame farpado e protegida por duas cercas de segurança.

Ele estava, segundo Brennan, “se escondendo em plena vista”.

De volta a Washington, Panetta se encontrou com Obama e seus principais assessores de segurança nacional, incluindo Biden, a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton e o secretário de Defesa Robert M. Gates. A reunião foi considerada tão secreta que os funcionários da Casa Branca, nem sequer a listaram em seus alertas internos.

Naquele dia, Panetta falou longamente sobre Bin Laden e seu possível esconderijo.

"Foi eletrizante", disse um funcionário do governo que participou da reunião."Por muito tempo estávamos tentando chegar nesse cara. E de repente, era como se, ‘uau, lá está ele’”.

Ainda assim, havia dúvidas sobre se Bin Laden realmente estava dentro da casa. O que se seguiu foram semanas de reuniões tensas entre Panetta e seus subordinados sobre o que fazer a seguir.

Enquanto Panetta defendia uma estratégia agressiva para confirmar a presença de Bin Laden, alguns oficiais da CIA temiam que sua iniciativa mais promissora em anos pudesse ser prejudicada caso guarda-costas suspeitassem que a fortaleza estava sendo vigiada e tirassem o líder da Al-Qaeda dali.

Durante semanas, satélites espiões tiraram fotos detalhadas e a Agência Nacional de Segurança trabalhou para colher todas as comunicações provenientes da casa. Não foi fácil: o local não tinha nem linha de telefone, nem acesso à internet. Aqueles que viviam lá dentro estavam tão preocupados com a segurança que queimavam o lixo, em vez de colocá-lo na rua para coleta.

Em fevereiro, Panetta chamou o vice-almirante William H. McRaven, comandante do Comando de Operações Especiais do Pentágono, à sede da CIA em Langley, Virgínia, para lhe dar detalhes sobre a fortaleza e para começar a planejar um ataque militar.

McRaven, um veterano do mundo secreto que escreveu um livro sobre as Operações Especiais dos Estados Unidos, passou semanas trabalhando com a CIA na operação e veio com três opções: um ataque de helicóptero usando forças americanas, um ataque como bombardeiros B-2, que destruiria a fortaleza, ou um ataque em conjunto com agentes da inteligência paquistanesa que seriam informados horas antes da missão sobre o seu objetivo.

Considerando as opções

Em 14 de março, Panetta apresentou as opções para a Casa Branca. Os agentes da CIA haviam tirado fotos de satélite que estabeleceram o que Panetta descreveu como os “hábitos” das pessoas que viviam na fortaleza. Os indícios de que Bin Laden estava lá tinham aumentado.

As discussões aconteciam enquanto as relações dos Estados Unidos com o Paquistão eram muito prejudicadas pela prisão de Raymond A. Davis, um funcionário da CIA preso por atirar em dois paquistaneses em uma rua movimentada em Lahore, em janeiro. Alguns dos principais assessores de Obama estavam preocupados com a possibilidade de qualquer ataque militar para capturar ou matar Bin Laden provocar uma reação furiosa do governo do Paquistão. Com isso, Davis poderia acabar morto em sua cela.

O americano foi libertado no dia 16 de março, dando mais liberdade para seus colegas. Em 22 de março, Obama pediu a seus assessores opiniões sobre as opções apresentadas.

Gates estava cético sobre um ataque de helicóptero, chamando-o de arriscado, e instruiu oficiais militares a analisar o bombardeio aéreo utilizando bombas inteligentes. Mas alguns dias depois, os oficiais retornaram com a notícia de que seriam necessárias cerca de 32 bombas de 900 quilos cada. E como poderiam as autoridades dos Estados Unidos ter certeza de que tinham matado Bin Laden? "Isso teria criado uma cratera gigante e não haveria corpo", disse uma autoridade de inteligência dos Estados Unidos.

O ataque de helicóptero passou a ser a opção mais defendida. A equipe dos Navy Seals que realizaria o ataque começou a realizar treinamentos em instalações em ambas as costas americanas que foram modeladas para se assemelhar à fortaleza. Mas eles não sabiam quem era o alvo até muito mais tarde.

Na quinta-feira passada, um dia após o presidente divulgar sua certidão de nascimento – "uma bobagem" que estava distraindo o país de assuntos mais importantes, como ele disse aos repórteres – Obama reuniu-se novamente com seus oficiais de alto escalão da segurança nacional.

Panetta disse ao grupo que a CIA havia levado o caso à "equipe vermelha" – ou seja, compartilhado a sua inteligência com outros analistas que não estavam envolvidos para ver se eles concordavam que Bin Laden estava em Abbottabad. Eles concordavam. Era hora de decidir.

Ao redor da mesa, o grupo passou por todos os cenários negativos. Segundo um assessor, havia longos períodos de silêncio. E então, finalmente, Obama falou: "Não vou dar a minha decisão agora. Vou voltar e pensar um pouco mais". Mas ele acrescentou: "Vou tomar uma decisão em breve".

Dezesseis horas depois, ele havia tomado uma decisão. Na manhã seguinte, quatro de seus principais assessores foram convocados para a Sala Diplomática da Casa Branca. Antes que pudessem informar o presidente, ele os “cortou”. "Vamos em frente", disse ele.

A operação poderia ocorrer no sábado, mas as autoridades advertiram que a cobertura de nuvens na região fazia de domingo uma data melhor.

No dia seguinte, Obama fez uma pausa no ensaio para o jantar dos Correspondentes da Casa Branca que aconteceria naquela noite para telefonar a McRaven e desejar-lhe sorte.

No domingo, funcionários da Casa Branca cancelaram todas as visitas turísticas à Asa Oeste da Casa Branca. O objetivo era impedir que turistas encontrassem todos os principais responsáveis pela segurança nacional dos EUA enfiados na Sala de Situação durante toda a tarde, monitorando as informações que estavam recebendo de Panetta. Um funcionário foi ao mercado Costco e voltou com provisões – wrap de peru, salada de camarão, batata frita, refrigerante.

Às 14h05, Panetta esboçou a operação para o grupo uma última vez. Dentro de uma hora, o diretor da CIA começaria sua narração dos eventos através de vídeo conferência. "Eles cruzaram a fronteira com o Paquistão", disse ele.

Do outro lado da fronteira

A equipe de comando seguiu para Paquistão a partir de uma base em Jalalabad, do outro lado da fronteira, no Afeganistão. O objetivo era entrar e sair antes que as autoridades paquistanesas detectassem a violação de seu território e reagissem com resultados possivelmente violentos.

No Paquistão, era pouco depois da meia-noite (madrugada de segunda-feira) e os americanos estavam contando com o elemento surpresa. Conforme o primeiro dos helicópteros voava em baixas altitudes, os vizinhos ouviram um forte barulho e tiros. Uma mulher que mora a dois quilômetros de distância disse ter pensado que fosse um ataque terrorista contra uma instalação militar paquistanesa. O marido disse que não havia nenhuma pista de que Bin Laden estivesse escondido naquela zona tranquila e rica. “No Paquistão, é o mais próximo que você pode estar da Grã-Bretanha", disse ele sobre o bairro.

A equipe americana invadiu a fortaleza – a invasão despertou o grupo que estava lá dentro, disse um oficial de inteligência dos Estados Unidos – e começou um tiroteio. Um homem segurou uma mulher não identificada que vivia enquanto atirava contra os americanos. Ambos foram mortos. Outros dois homens também morreram, e duas mulheres ficaram feridas. Autoridades dos Estados Unidos determinaram que um dos homens mortos era Hamza, filho de Bin Laden, e os outros dois eram irmãos do mensageiro.

Os militares encontraram Bin Laden no terceiro andar, vestindo um traje conhecido como shalwar kameez, e segundo as autoridades ele resistiu à prisão antes de levar um tiro acima do olho esquerdo quase no fim do ataque que durou 40 minutos.

O governo dos Estados Unidos deu poucos detalhes sobre seus momentos finais. "Se ele disparou contra os soldados ou não, eu francamente não sei", disse Brennan, o chefe de contraterrorismo da Casa Branca. Mas um oficial de alto escalão do Pentágono, que passou informações sob a condição de anonimato, disse que está claro que Bin Laden "foi morto pelas balas dos Estados Unidos".

Autoridades dos Estados Unidos insistem que Bin Laden teria sido preso se não tivesse resistido, apesar de considerarem a probabilidade remota. "Se tivéssemos a oportunidade de levar Bin Laden vivo, se ele não apresentasse qualquer ameaça, os indivíduos envolvidos seriam capazes e estavam preparados para fazer isso", disse Brennan.

Uma das esposas de Bin Laden identificou o corpo dele, segundo oficiais americanos. Uma foto tirada por um Seal e processada através do software de reconhecimento facial sugere uma certeza de 95% de que seja Bin Laden. Posteriormente, testes de DNA comparados a amostras de parentes encontraram uma correspondência de 99,9%.

Mas os americanos enfrentavam outros problemas. Um de seus helicópteros quebrou e não pôde decolar, disseram autoridades. Ao invés de deixá-lo cair em mãos erradas, os agentes moveram mulheres e crianças para uma área segura e explodiram o helicóptero avariado.

A essa altura, porém, o exército paquistanês estava reunindo suas forças para responder à incursão no território. "Eles não tinham ideia de quem poderia ser", disse Brennan. "Felizmente, não houve confronto com as forças paquistanesas".

Quando decolaram, às 1h10 hora local, levando consigo documentos e discos rígidos de computadores da casa, os americanos deixaram para trás as mulheres e crianças. Um oficial paquistanês disse que nove crianças, de 2 a 12 anos de idade, estão agora sob custódia do Paquistão.

O governo Obama já havia decidido que seguiria a tradição islâmica de sepultamento no prazo de 24 horas para evitar ofender os muçulmanos devotos, mas havia decidido que Bin Laden teria de ser sepultado no mar, já que nenhum país estaria disposto a receber o corpo. Além disso, não queria criar um santuário para os seus seguidores.

Assim, segundo autoridades, o corpo do líder da Al-Qaeda foi lavado e colocado em um lençol branco de acordo com a tradição. No porta-aviões Carl Vinson, ele foi colocado em um saco com pesos e um oficial leu textos religiosos, os quais foram traduzidos para o árabe por um nativo, de acordo com o oficial do Pentágono.

O corpo então foi colocado sobre uma prancha plana e jogado ao mar. Um pequeno grupo de pessoas assistia tudo de uma das plataformas elevatórias de aeronaves de grande porte que se deslocaram até o convés de vôo. Foram as únicas testemunhas do fim do fugitivo mais procurado do mundo.

Por Mark Mazzetti, Helene Cooper e Peter Baker

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