Políticos assumem papel de analistas na televisão americana

WASHINGTON - Na noite de quinta-feira, Karl Rove, o arquiteto das duas últimas vitórias presidenciais republicanas, em seu novo espaço televisivo na Fox News, oferecia conselhos gratuitos ao senador Barack Obama conforme ele se aproxima da indicação democrata à presidência.

The New York Times |

Qualquer medida de Obama em declarar a vitória antes das últimas primárias democratas em junho, afirmou Rove, afastaria a ala da senadora Hillary Rodham Clinton do partido. "Isso é um erro", ele disse. "Isso seria esfregar a vitória no nariz do perdedor. Muitos dos partidários da candidata se lembrarão disso em novembro".

No comitê da guerra da campanha de Obama em Chicago, o conselho de Rove foi recebido com uma dose enorme de sal.

"Aceitar seu conselho não seria um pouco como receber dicas de saúde de um diretor de funerária?" disse a secretaria de imprensa de Obama, Bill Burton.

A posição de Rove passou a ser a de especialista, mas muitos - mesmo os que estavam acostumados a cobrir suas decisões - não sabem o que pensar a esse respeito.

Há um ano, quando ele era o vice-chefe da equipe da administração Bush, Rove evitava as organizações de notícias.

Agora, ele se uniu à elas, como analista da Fox News e contribuidor da Newsweek e do The Wall Street Journal. Ele também irá lançar um livro em breve.

Às vezes claramente partidário, aos outros, aparentemente oferecendo análises centralizadas, o novo papel de Rove como estrela da mídia marca um outro passo na evolução do jornalismo tradicional - onde opinião, "notícias diretas" e reviravoltas se unem, especialmente na televisão.

"Nós chegamos a um ponto, particularmente em canais a cabo que funcionam 24 horas por dia, onde jornalistas não são os participantes preferenciais, e sim os políticos, os ativistas do tipo de Karl Rove", disse Marvin Kalb, antigo diretor do Centro de Imprensa, Política e Serviços Públicos da Universidade Harvard que foi correspondente da CBS e NBC.

Jon Meacham, editor da Newsweek, afirmou que não se preocupa que seus leitores confundam as inclinações Rove. "Ninguém no planeta que lê a Newsweek desconhece as políticas de Karl", ele disse.

Paul Begala, analista da CNN que também é um operador democrata e partidário de Clinton, afirmou que é trabalho de Rove, e seu, manter os telespectadores imaginando sua posição.

"É isso que torna a televisão um veículo interessante", ele disse

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