Políticos ainda discutem sobre um líder para a Somália

NAIROBI ¿ A janela de oportunidade que foi criada pela recente renúncia do, muito criticado, presidente da Somália parece estar fechando rapidamente, com as disputas entre os políticos somalis sobre quem irá substituí-lo e a violência que está surgindo em diversas frentes.

The New York Times |

Nesta segunda-feira, 12, o orador do Parlamento de transição da Somália declarou que estava seguindo adiante com os planos de escolher um novo presidente, apesar das objeções estrondosas dos líderes islâmicos moderados.

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Orador do parlamento, Sheik Aden Mohamed Nur
Orador do parlamento, Sheik Aden Mohamed Nur
Os islâmicos prometeram cadeiras no parlamento e cargos elevados no governo em um acordo para compartilhar poderes que poderia diminuir um pouco da violência na Somália, que tem estado entregue ao caos e ao derramamento de sangue há 18 anos.

Eles afirmam que o novo presidente deveria ser escolhido por uma combinação de representantes islâmicos e do governo que votariam em Dijibouti, onde líderes islâmicos moderados têm base e onde o acordo de divisão de poderes foi assinado.

Mas o orador do Parlamento, Sheik Adan Mogammed Nur, se nega a aceitar, dizendo que o novo presidente deve ser escolhido em Baidoa, cidade mercantil da Somália onde fica o governo de transição. Agora os islâmicos estão ameaçando quebrar o acordo.

O governo e os opositores islâmicos aceitaram um acordo de compartilhar poderes, disse Adan, nesta segunda. Qualquer islâmico que não cooperar, ele advertiu, será deixado de fora do processo de seleção.

Decidir o lugar onde será escolhido o novo presidente parece um dilema trivial em um país que tem problemas muito maiores ¿ fome, piratas e guerra. Mas a disputa poderia acabar com a única faísca de esperança da paisagem politicamente miserável da Somália.

Depois que Abdullahi Yusuf Ahmed renunciou à presidência em dezembro, muitos somalis, diplomatas ocidentais e oficiais de apoio cruzaram os dedos esperançosos de que os islâmicos moderados e o governo de transição poderiam trabalhar juntos para escolher um líder novo e unificador. Yusuf, ex-militar, foi amplamente criticado por tentar impedir as negociações de paz.

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Abdullahi Yusuf, ex-presidente da Somália, renunciou em dezembro
Yusuf, presidente que renunciou em dezembro
Em vez disso, o país parece estar se fragmentando mais e mais. Durante o fim de semana, mais de 20 pessoas foram mortas em combates entre ao menos três facções islâmicas. Ao mesmo tempo, insurgentes, que incluem alguns islâmicos mais radicais, continuam a bombardear alguns quarteirões da cidade que o governo ainda controla, em Mogadishu, capital da Somália desertada, abalada por bombardeios.

A troca de bombas matou ao menos 10 pessoas nesta segunda-feira, disseram testemunhas.

No extremo sul do país, próximo ao porto de Kismaayo, um ex-militar está buscando seu caminho de volta para o poder lutando contra tropas islâmicas radicais.

E logo, logo, isso pode piorar. Os soldados etíopes que estão na Somália há mais de dois anos ajudando a proteger o governo estão se retirando da área, e muitos somalis buscarão uma guerra geral quando os últimos soldados etíopes partirem, o que pode acontecer nos próximos dias.

Nesta semana, nas Nações Unidas (ONU), os EUA estão buscando por votos para uma resolução do Conselho de Segurança para decidir se será estabelecida uma força de manutenção da paz na Somália até 1º de junho. A resolução também pede um reforço de cerca de 2.600 tropas às forças da União Africana que está presente com oito mil tropas, como foi originalmente previsto.

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Combatentes islâmicos treinam com suas armas em Mogadishu


Os Estados Unidos pediu uma resolução mais específica convocando uma força de manutenção de paz, disseram diplomatas europeus, mas, em compromisso com outros membros, aceitou a necessidade de uma segunda resolução posteriormente, ainda neste ano.

O secretário-geral, Ban Ki-moon, disse que mais de 50 países rejeitaram seu pedido para alguém tomar a liderança em uma força para estabilizar a Somália, mas um oficial sênior dos EUA disse que diversos países disseram a Washington que eles poderiam ser mais amenos com uma operação oficial da ONU.

Por JEFFREY GETTLEMAN e MOHAMMED IBRAHIM

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