Políticas de Obama para Israel podem custar votos de judeus

Republicanos tentam conquistar preferência de judeus democratas insatisfeitos com o tom 'firme demais' do líder americano

iG São Paulo |

Desde Jimmy Carter (1977-1981), nenhum candidato democrata à presidência dos EUA deixou de conquistar a maior parte dos votos judeus.

Os republicanos veem uma chance de mudar isso em 2012, já que o presidente Barack Obama tem mantido uma relação tensa com os líderes de Israel e é criticado por muitos judeus americanos por ser firme demais com este aliado.

Antecipando problemas, a campanha de Obama e líderes do Partido Democrata têm efetuado mudanças para solidificar a popularidade do presidente com eleitores judeus. O Comitê Nacional Democrata estabeleceu um programa de divulgação que busca atingir grupos, doadores e outros partidários judaicos com ligações e emails para combater a ideia republicana de que Obama é hostil a Israel.

Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discursa durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York (21/09)
Entre esses esforços encontra-se um documento com o título: "A Postura do Presidente Obama sobre Israel: Mitos e Fatos". David Axelrod, um conselheiro de Obama, enviou emails a eleitores judeus compartilhando com eles um discurso do Ministro de Defesa israelense, Ehud Barak, elogiando Obama e dizendo que ele havia contribuído com a cooperação militar entre os Estados Unidos e Israel.

Além disso, a Casa Branca tem chamado atenção para a recente manifestação de gratidão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e de outros oficiais israelenses na sexta-feira passada, após Obama ter intervindo para prevenir a violência após o ataque de uma multidão à Embaixada Israelense no Cairo, colocando em risco diplomatas israelenses que se encontravam lá dentro.

Foi um momento raro na relação entre eles. Desde as últimas eleições, Netanyahu tem parecido colocar mais energia nas relações com a nova maioria republicana na Câmara do que em sua relação com Obama.

"Há muitas pessoas mentindo sobre o histórico do presidente e temos de desmentir tais afirmações", disse a congressista Debbie Wasserman Schultz, da Flórida, que é presidente do Comitê Nacional Democrata. "O presidente tem um histórico impecável em relação a Israel e iremos contar isso de forma detalhada para obter a maioria dos votos novamente."

Ela participou de um ato de "validação" recentemente em Miami, quando apareceu diante dos repórteres com o Vice-Ministro de Assuntos Internacionais de Israel, Danny Ayalon, e ficou ao seu lado enquanto ele elogiava Obama.

Segundo Debbie, pesquisas mostram que a maioria dos judeus continua apoiando Obama e que o seu nível de aprovação demonstra seu desempenho e popularidade com a maioria do eleitorado.

Ainda assim, os judeus americanos estão claramente simpatizando menos com Obama do que estavam em 2008, quando cerca de oito em cada 10 votaram nele (em uma pesquisa Gallup realizada em julho do ano passado, um dos meses mais recentes para o qual há dados disponíveis, o seu índice de aprovação foi de 60%). Legisladores judeus vêm alertando a Casa Branca de que este descontentamento poderá prejudicar o presidente na hora da arrecadação de verba e do entusiasmo para votarem nele.

"Já faz um tempo que tenho ouvido de uma grande quantidade de eleitores uma insatisfação com as declarações sobre Israel feitas pelo presidente e por seu governo", disse o deputado Eliot L. Engel, democrata de Nova York. "Ele pode até receber a maioria dos votos judeus, mas eu não ficaria surpreso ao ver uma queda de 10 a 20 pontos percentuais".

O centro do problema, disse Engel, é que Obama tende a culpar Israel e os palestinos igualmente sobre o impasse no Oriente Médio – uma equivalência que muitos eleitores judeus acham questionável. Ele disse que esta é uma das reações que impedem os judeus de dar crédito ao presidente pelos aspectos positivos de sua política em relação a Israel.

Grupos republicanos estão determinados a fazer de Israel uma questão central. Recentemente, foram colocados em Nova York cartazes que mostram Obama sorrindo e apertando a mão do presidente palestino, Mahmoud Abbas, e declarando que o presidente é "Anti-Israel".

"Não há um dia em que não abro uma série de emails no meu BlackBerry de pessoas que nem conheço ou grupos dos quais nunca ouvi falar, dizendo que este presidente não é amigo de Israel, ou pior”, disse David A Harris, diretor executivo do Comitê Judaico-Americano, uma organização apartidária.

"É muito fácil afirmar que nas eleições de 2012 Obama terá problemas com os eleitores judeus em Estados como Ohio, Flórida e Pensilvânia", disse Matt Brooks, diretor-executivo da Coalizão Judaica Republicana.

Enquanto Israel pode ter emergido como um tema principal da campanha, uma pesquisa feita pelo Siena College no início de setembro, mostrou que outras questões, como a economia, previdência social e o plano de saúde, são vistas como muito mais importantes, até mesmo pelos eleitores judeus. Com o Partido Republicano tendendo cada vez mais para a direita, segundo analistas, ele terá problemas em conquistar votos de eleitores judeus mais liberais a respeito destas questões.

"A noção de que este é o único problema dentro do círculo eleitoral e que estas pessoas não se preocupam com a economia e com empregos e outras questões é equivocada", disse Jeremy Ben-Ami, diretor-executivo da J. Street, um grupo de defesa liberal.

Como Steve Rabinowitz, um ex-funcionário da Casa Branca de Clinton que é conselheiro de grupos judaicos, diz: "Os judeus votam como todo mundo – apenas consideram outros fatores”.

Por Mark Landler

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