Política iraquiana leva a dúvidas sobre presença militar dos EUA

Diante de plano de retirada total das tropas americanas, oficiais questionam necessidade de papel consultivo para além de 2011

The New York Times |

A crise política prolongada, que viu o ressurgimento de um bloco ferozmente contrário à política americana no Iraque, gera dúvidas sobre a criação de qualquer novo papel militar americano duradouro no Iraque após a retirada dos cerca de 50 mil soldados que deixarão o país nos próximos 12 meses, afirmam militares e oficiais do governo.

Diante das deficiências militares do Iraque, oficiais americanos e iraquianos há muito esperavam que alguma presença militar dos Estados Unidos, mesmo que apenas em papel consultivo, continuasse no país para além de 2011. Esse é o prazo para a retirada das tropas negociado pelo ex-presidente George W. Bush há mais de três anos e cumprido, até agora, pelo presidente Barack Obama.

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Oficiais em checkpoint da província de Diyala, no Iraque
Mesmo que o planejamento de contingência para qualquer missão duradoura americana tenha continuado em silêncio em Bagdá e no Pentágono, no entanto, a mudança no cenário político nos dois países torna cada vez mais possível que a retirada de 2011 possa ser total, disseram os oficiais. Tanto o primeiro-ministro iraquiano, Nouri Al-Maliki, quanto Obama repetiram sua promessa pública de respeitar o prazo.

Os oficiais militares e do governo enfatizaram em entrevistas que a Casa Branca não tomou nenhuma decisão definitiva sobre permanência eventual para além da retirada programada – e que não iria sequer considerar essa possibilidade a menos que solicitada pelo governo de Al-Maliki.

A questão é tão delicada politicamente – em Bagdá e em Washington – que os oficiais só falam em condição de anonimato. Além disso, eles dizem que o tema não foi abordado em detalhes mesmo em reuniões privadas recentes entre autoridades iraquianas e americanas.

"Maliki não pode começar agora a pedir uma grande prorrogação da presença das forças americanas", disse um oficial sênior. "Em primeiro lugar, não há um governo de Maliki. E em segundo lugar, ele iria introduzir uma questão altamente controversa em um momento no qual não precisa dela".

Redução

Os Estados Unidos já estão planejando uma redução constante de tropas e bases, que começará para valer na primavera e deve chegar a zero a esta altura no próximo ano. Esses planos foram complicados pela incerteza sobre que tropas irão substituí-las – se é que haverão tropas.

Depois que as eleições parlamentares em março levaram a um longo período de impasse, Al-Maliki agora lidera uma coalizão formada por partidos em busca de interesses conflitantes, incluindo legisladores aliados a Muqtada Al-Sadr, um clérigo xiita que vive no exílio, cujos combatentes lutaram ativamente contra as forças americanas e iraquianas até que foram derrotados em 2008. A sua nova parceria, que impulsionou a nomeação de Al-Maliki para um segundo mandato, irá tornar politicamente arriscado para ele mudar de ideia.

Entre os iraquianos, a questão da presença militar americana é profundamente confusa e, muitas vezes, sutil.

Assad Ismail, um presidente do conselho local em Sadiya, uma vila ao longo dos territórios disputados a nordeste de Bagdá, disse que só os americanos foram capazes de resolver uma disputa recente que se agravou quando soldados iraquianos tentaram restringir o movimento de insurgentes fechando o acesso dos agricultores locais a seus produtos. "Graças a Deus, o Exército americano estava conosco", disse Ismail. "Nós queremos que eles fiquem por mais cinco ou 10 anos".

*Por Steven Lee Myers, Thom Shanker e Jack Healy

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