Polícia afegã tenta barrar o comércio de uniformes oficiais

Equipes de agentes fazem incursões em barracas e confiscam indumentárias policiais ilegais como botas, distintivos e equipamentos

The New York Times |

A polícia afegã tem ampliado sua ação em lojas de roupas e alfaiatarias que fazem e vendem ilegalmente uniformes militares e policiais, após uma série de ataques em que os insurgentes estavam vestidos como membros do serviço oficial afegão ter lançado suspeitas sobre as forças de segurança em crescimento do país.

No mercado Kohan Froshi, um grande bazar ao ar livre no centro de Cabul, as equipes de agentes da polícia realizam incursões até nas barracas, confiscando centenas de uniformes, botas, distintivos, insígnias e outras indumentárias militares e policiais, disse o general Mohammad Ayoub Salangi, chefe de polícia da província de Cabul.

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Mohammad Akim, único vendedor do mercado Kohan Froshi com permissão para vender uniformes de polícia, mostra insígnia da Polícia Nacional Afegã
Além de confiscar os uniformes e equipamentos, a polícia emitiu advertências severas aos proprietários das lojas, dizendo que se forem pegos novamente irão para a prisão. “Nós alertamos as pessoas a não vender uniformes militares e botas", disse Salangi.

Ações semelhantes também aconteceram nas voláteis províncias de Kandahar e Helmand, segundo as autoridades da região.

Um próspero comércio de roupas militares existe há anos no país. Há ampla oferta, pois soldados e policiais muitas vezes vendem seus uniformes extra para complementar seus salários relativamente baixos, bem como os desertores buscam lucrar com sua participação nas forças de segurança.

Moda

A procura também é alta: pedaços de uniformes contrabandeados se tornaram uma espécie de moda em um país que convive com a guerra e a violência há décadas.

No sábado, muitos alfaiates no mercado Kohan Froshi negaram que estivessem vendendo uniformes, dizendo que eles estavam ali apenas para reparos. A repressão policial, segundo eles, estava roubando sua subsistência.

“Eu tinha oito pares de uniformes militares que os soldados trouxeram para consertos e os policiais os levaram", disse o alfaiate Gamaludin.

"Todos dependemos dos soldados", disse outro alfaiate, Ghulam Hassan. "Há 50 ou 60 lojas aqui e todas pertencem a chefes de família que precisam sustentar suas casas – se eles tiverem de fechar, o que vão fazer?"

Mohammad Akim, o único dono de loja no mercado licenciado para vender e reparar uniformes do Exército e da polícia, disse que em um determinado dia, 30 ou 40 lojas no mercado vendem as roupas ilegalmente.

Mesmo no momento em que a ação estava em andamento, sete insurgentes vestidos com uniformes do Exército afegão emboscaram dois veículos da polícia nas redondezas de Jalalabad, na província oriental de Nangarhar. Dois policiais foram mortos e outros dois ficaram feridos, disseram as autoridades afegãs.

*Por Ray Rivera

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