Poder de negociação de trabalhadores aumenta na China

Greves e pressões para aumento de salários e melhores condições de trabalho devem aumentar custo dos negócios no país

The New York Times |

© AP
Funcionários da Honda fazem greve na China (07/06)
A disputa salarial continua a se espalhar pela China. Na terça-feira a Honda afirmou que trabalhadores de uma fábrica de peças haviam entrado em greve poucos dias depois da empresa chegar a um acordo que ofereceu aumento salarial para que 1.900 outros funcionários voltassem ao trabalho em sua fábrica de transmissão.

A nova greve, em um fábrica de exaustores na cidade de Foshan, irá obrigar a Honda a parar o trabalho em uma de suas quatro montadoras na China nesta quarta-feira, segundo a companhia.

As montadoras foram reabertas recentemente depois de terem permanecido fechadas por duas semanas por causa de uma greve anterior na fábrica de transmissão, que também fica em Foshan.

A segunda greve da Honda acontece em meio a sinais de que, em uma mudança recente e marcante das dinâmicas trabalhistas locais, a imensa força de trabalho da China está ganhando poder de negociação.

Nova pressão para o aumento dos salários e melhora nas condições de trabalho, vinda em parte do governo chinês, deve aumentar o custo dos negócios na China e pode levar muitas companhias a considerar a transferência de sua produção para outro país.

Outro grande empregador em disputas laborais, a Foxconn Tecnologia - fabricante de eletrônicos que também anunciou aumentos salariais na China este mês - disse na terça-feira que está reconsiderando a forma como opera no país em resposta a críticas feitas sobre práticas no seu ambiente de trabalho.

"Uma vez que a Foxconn é uma empresa comercial que opera como uma sociedade, somos responsáveis por quase tudo para os nossos trabalhadores, incluindo o seu trabalho, alimentação, moradia e relacionamentos pessoais", disse Artur Huang, porta-voz da Foxconn. "Isso é demais para uma companhia. Uma companhia como a Foxconn não deveria ter tantas funções".

A Foxconn, que fabrica aparelhos de empresas como Apple, Dell e Hewlett-Packard, afirmou no domingo que planeja duplicar os salários de seus 800.000 funcionários até outubro para 2.000 renminbis, ou cerca de US$300, ao mês.

Economistas dizem que a força de trabalho na China está cada vez mais arrojada e que ao longo do ano passado, greves periódicas no sul do país foram resolvidas sileciosamente ou não registradas pela mídia.

Mas as greves da Honda merecem destaque por terem atraído grande atenção da opinião pública.

Para resolver a greve na sua fábrica de transmissão, a Honda ofereceu na semana passada aumentos de 24% a 32% a seus trabalhadores. A greve forçou a Honda a fechar suas quatro montadoras na China.

Por David Barboza e Hiroko Tabuchi

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