Plano para deportar crianças divide israelenses

Deportação de 400 filhos de trabalhadores estrangeiros provoca debate público no país

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Israel enfrentou profundas divisões esta semana a respeito do destino de cerca de 400 crianças - filhos de trabalhadores estrangeiros em situação ilegal no país e que serão deportados.

A questão tocou em um ponto sensível em Israel, que vê a si mesmo como uma nação de refugiados e define-se como um Estado judaico e democrático.

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Crianças nascidas em Israel e filhas de trabalhadores estrangeiros são vistas em protesto em Jerusalém (25/07)

O debate público aconteceu após uma decisão do Conselho de Ministros no domingo para aprovar a concessão de vistos aos filhos de pessoas que entraram em Israel com autorização, mas permaneceram no país ilegalmente.

Sob as novas orientações, com base no tempo que passaram no país e sua integração ao sistema de ensino, cerca de 800 das 1.200 crianças são qualificadas para ficar. Seus pais e irmãos terão o direito de residência temporária. As 400 que não cumprem os critérios terão de sair do país em um prazo de 30 dias.

A decisão do governo foi amplamente vista como razoável, apesar de muitos afirmarem que seria mais humanitário permitir a permanência dessas 400 crianças.

Outros viram a decisão como um precedente negativo, que poderia incentivar mais trabalhadores estrangeiros a estabelecer raízes em Israel e ameaçar o caráter judaico do Estado.

O destino das crianças nascidas em Israel que são filhas de trabalhadores estrangeiros envolve emoções fortes há muito tempo. No domingo, foram necessárias duas votações para que o Conselho de Ministros aprovasse as novas diretrizes, que passou pela segunda vez com uma votação de 13-10, e quatro abstenções.

Os ministros que votaram contra o plano o fizeram por motivos diferentes.

Alguns, incluindo os ministros do ultraortodoxo Partido Shas, que controla o Ministério do Interior e que os críticos qualificam como racista, se opuseram ao plano por considerá-lo muito liberal.

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Menina descansa durante protesto contra deportação de filhos de trabalhadores estrangeiros

Outros, incluindo alguns ministros do conservador partido Likud, se opuseram a ele por não ser liberal o suficiente. A discussão em torno da mesa do gabinete foi "quente", segundo uma autoridade israelense presente na sala.

"Todos nós sentimos e compreendemos o coração das crianças", disse o primeiro-ministro e líder do Likud, Benjamin Netanyahu, no início da reunião do gabinete no domingo. "Mas, por outro lado, existem considerações sionistas e a necessidade de garantir o caráter judaico do Estado de Israel. O problema é que essas duas ideias entram em choque”.

Há entre 250 mil e 300 mil trabalhadores estrangeiros em Israel, cerca de metade deles sem documentos válidos. Israel tem uma população de 7,5 milhões de habitantes, incluindo mais de 5,6 milhões de judeus e 1,5 milhões de cidadãos árabes.

Devido às preocupações de segurança, o país começou a convidar trabalhadores estrangeiros por períodos limitados para substituir os palestinos da Cisjordânia e de Gaza que trabalhavam na construção civil, agricultura e trabalho doméstico.

Muitos trabalhadores ficaram mais tempo do que o permitido por seus vistos, e o número de imigrantes cresceu com a chegada de africanos pela fronteira com o Egito.

Por Isabel Kershner

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