Planejadores de Detroit têm o desafio ímpar de reduzir a cidade

Dentre as prioridades da cidade estão lidar com população cada vez menor, infraestrutura decadente e casas abandonadas

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Quando Marja M. Winters estudava planejamento urbano, ela aprendeu a arte e a ciência de ajudar as cidades a crescer.

Agora Winters, nativa de Detroit e vice-diretora de planejamento do Departamento de Desenvolvimento da cidade, encontra-se em uma situação inesperada: a de reduzir sua cidade natal, tomando decisões difíceis que irão determinar quais bairros podem ser resgatados e quais devem ser abandonados.

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Casas abandonadas e demolidas na parte leste de Detroit, nos EUA
"Sempre tivemos essa noção de que a população do mundo continua a crescer e mais e mais pessoas querem viver nas cidades", disse Winters, 33 anos. "A realidade é muito diferente. Quem diria?"

O prefeito Dave Bing elegou como prioridades lidar com a população cada vez menor de Detroit e a infraestrutura decadente da cidade, levando aqueles que permanecem na cidade a alguns bairros, em vez de deixá-los espalhados pela cidade de 334 km², cujas fronteiras faziam mais sentido quando o dobro de pessoas morava aqui há 40 anos.

Realizar tal projeto em uma cidade tão grande quanto Detroit é como resolver um complicado quebra-cabeças: Como reconfigurar estradas, linhas de ônibus, distritos policiais? Como encorajar as pessoas – não há como forçá-las – a deixar os piores bairros e passar a viver nos melhores?

Investimentos

Ainda este mês, uma equipe que inclui Winters deverá apresentar uma proposta, um mapa para orientar os investimentos em cada um dos bairros da cidade – que certamente será controversa. Um plano final para a cidade será apresentado no final do ano.

Detroit já está se reduzindo por conta própria, é claro. Dados do Censo recente mostram que a cidade, antes a quarta maior do país, perdeu um quarto da sua população nos últimos dez anos, deixando-a com menos de 714 mil pessoas.

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Recente Censo mostrou que Detroit, cidade que já foi a quarta maior dos EUA, perdeu 25% de sua população na última década
Mas as perdas são sentidas em toda cidade, em vez de apenas em trechos de suas margens, o que deixaria um núcleo mais vibrante.

De sua parte, as autoridades municipais dizem que a polícia e os bombeiros sempre irão atender a todos os bairros de Detroit – mesmo aqueles onde poucas pessoas continuam a viver.

Mas Bing espera que um "núcleo" de bairros ligados ao centro pela coluna vertebral da cidade, a Avenida Woodward, permanecerão ativos e que o plano acabará por ajudar a evitar o êxodo de Detroit. "Tudo isso é muito difícil", disse Winters. "Há muito o que pesar e nós simplesmente não podemos nos dar ao luxo de fracassar. Temos que fazer direito agora”.

*Por Monica Davey

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