Piratas somalis estão aparentemente próximos de fechar acordo sobre navio sequestrado

NAIRÓBI ¿ Os piratas somalis que sequestraram um navio ucraniano carregado de armamentos há quase duas semanas, deverão ser resgatados em breve ¿ um grande resgate segundo informaram na quarta-feira autoridades marítimas e parceiros dos piratas.

The New York Times |

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Depois de difíceis negociações - que muitas pessoas envolvidas descreveram como pechincha de feira ¿ o acordo parece que está próximo de ser concluído no qual os piratas podem receber milhões de dólares e o navio poderá ser libertado.   

Os piratas e os donos dos navios fecharam o acordo em torno de US$8 milhões, disse Ahmed Omar, empresário em Xarardheere, um pirata famoso da costa da Somália. O navio deve ser liberado hoje ou amanhã.

Autoridades marítimas do Quênia estavam mais cautelosas, dizendo que o os detalhes cruciais precisam ser aprimorados.  De início, os piratas pediam garantias que não seriam presos nem jogados ao mar pela frota americana que atualmente os cerca.

Isso é como comprar um carro usado e sair dirigindo, disse uma autoridade marítima no Quênia. A questão do dinheiro é apenas uma parte da negociação.


Marinheiro americano observa o navio ucraniano sequestrado / AP

Ainda assim, uma autoridade que falou na condição de anonimato, disse quarta-feira que houve progressos. As partes estão se aproximando.

Os piratas pediram inicialmente US$35 milhões, mas baixaram para US$20 milhões. E sempre pareceram abertos às negociações.

Mais de 25 navios foram sequestrados este ano na Somália e a média do resgate gira em torno de US$1 milhão ou US$2 milhões. 

Os piratas do navio ucraniano disseram que depois que o dinheiro fosse entregue ¿ em dólares americanos e preferivelmente em notas de US$100 - eles libertariam o navio, a carga e os 20 marinheiros a bordo.  

Destinatário desconhecido 

Uma questão persistente tem sido qual o país destinatário dos armamentos a bordo. Logo após o seqüestro, em 25 de setembro, o governo queniano declarou que o as armas ¿ 33 tanques T-72, 150 lançadores de granada, seis armas antiaéreas e munição - eram destinadas ao exército do Quênia. O navio tinha como destino Mombasa, o maior porto do Quênia.

Em sequência, surgiram evidências de que as armas eram parte de um acordo clandestino entre o Quênia e uma região separatista do Sudão, um acordo que provavelmente permaneceria em segredo caso os piratas não seqüestrassem o navio e começasse a conversar com a mídia por telefone. As autoridades ucranianas mantêm a afirmação de que não fizeram nada errado.

A Ucrânia não fornece ¿ nem tem planos de fornecer ¿ armamentos ao governo do sul do Sudão, disse Oleh Belokolos, diplomata ucraniano no Quênia. Todos os documentos foram validados. A Ucrânia segue as regras das Nações Unidas e os acordos de controle de armamento.

A Ucrânia é um grande negociador de armas, tendo herdado grandes estoques de arma depois do colapso da URSS.

O que é suspeito nesse acordo é que, até agora, o Quênia contava com o Reino Unido e outros países ocidentais como fornecedores de armamento pesado. Por enquanto, o sul do Sudão, uma região autônoma que está montando seu exército, usa tanques soviéticos. Os políticos do Quênia pediram respostas e pediram a instauração de comissões para apurar o ocorrido.

Militares americanos disseram que é prioridade assegurar que as armas não foram retiradas do navio e vendidas a insurgentes islâmicos da Somália. Os piratas disseram que não estavam interessados nas armas e que não tinham idéia que os tanques estavam a bordo quando sequestraram o navio.

Nós queremos apenas dinheiro , disse Sugule Ali, o porta-vos dos piratas, em entrevista semana passada.

Por JEFFREY GETTLEMAN

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