Piratas contam sua versão da história e dizem que só querem dinheiro

NAIRÓBI - Os piratas somalianos que sequestraram um navio de carga ucraniano carregado com tanques, artilharia, lançadores de granada e munições disseram em entrevista na terça-feira que eles não imaginavam que o navio estava carregado de armamento quando interceptaram a embarcação no oceano.

The New York Times |

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"Nós só vimos um navio grande, disse o porta-voz dos piratas, Sugule Ali, em uma entrevista por telefone. Então, fizemos com que ele parasse.

Os piratas viram logo que a presa era estimada em US$ 30 milhões em armamento pesado, rumo ao Quênia ou Sudão, dependendo de quem for ouvido.

Em uma entrevista de 45 minutos, Sugule explicou tudo, desde o que os piratas querem (só dinheiro) até  por que seqüestraram o navio (para acabar com a pesca ilegal e com o lixo nas nossas águas) e o que eles tiveram que comer a bordo (arroz, carne, pão, macarrão, comida comum de ser humano).

Ele disse que até o momento, aos olhos do mundo, os piratas não foram compreendidos. Nós não nos consideramos bandidos do mar, disse. Nós consideramos bandidos do mar aqueles que pescam ilegalmente, jogam lixo e carregam armas no nosso mar. Nós estamos simplesmente patrulhando nossas águas. Pense em nós como guardas costeiros.


Piratas somalianos foram vistos em pequenos barcos no domingo / AP

Os piratas que responderam ao telefonema na manhã de terça-feira disseram que eles estavam conversando via satélite diretamente da ponte do Faina, o navio cargueiro ucraniano que foi sequestrado a 320 quilômetros da costa da Somália na quinta-feira passada. Vários piratas falaram, mas disseram que apenas Sugule estava autorizado a ser identificado. Sugule reconheceu que estão agora cercados por navios americanos, mas ele não pareceu assustado com isso. Você só morre uma vez, disse Sugule. 

Ele disse que tudo estava em paz no navio, apesar de notícias não confirmadas por organizações marítimas do Quênia de que três piratas teriam sido mortos durante tiroteio entre eles no domingo ou na segunda-feira.

Ele insistiu que os piratas não estavam interessados nas armas e não tinham planos de vendê-las aos insurgentes islamitas que lutam no fraco governo de transição da Somália.

A Somália sofreu muitos anos de destruição por causa de todas essas armas, disse. Nós não queremos que o sofrimento e o caos continue. Nós não vamos vender as armas. Nós só queremos dinheiro.

Sugule disse que os piratas estão pedindo US$ 20 milhões em dinheiro. Nós não usamos outro sistema além do dinheiro. Mas adicionou que eles podem negociar. É uma negociação, explicou.

Por JEFFREY GETTLEMAN

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