Pirata chega à Nova York para enfrentar acusações

NOVA YORK ¿ A corte federal em Lower Manhattan é uma construção grandiosa, mais do que o suficiente para sustentar casos que fazem história como aqueles envolvendo o famoso mafioso nova iorquino John Gotti, o mega investidor Madoff e diversos homens aliados a Osama bin Laden.

The New York Times |

AP
Muse chega a corte judicial de Nova York

Mas nenhum desses casos veio com uma bagagem como Abduwali Abdukhadir Muse, um somali que não fala inglês, não se sabe qual sua idade e está sendo julgado por uma lei federal que não é usada há décadas e que tem uma sentença obrigatória de prisão perpétua.

Nesta terça-feira, menos de duas semanas após o governo dizer que Muse e mais três homens atacaram um navio americano na costa da África, Muse estava sentado em uma sala apertada de tribunal, quase engolido por uma grande cadeira, com sua mão esquerda toda enfaixada. Enquanto isso, advogados e o juiz discutiam por 45 minutos apenas para descobrir sua idade.

O juiz, sob as objeções de promotores e repórteres, esvaziou a corte. Então, ouviu o pai de Muse declarar, por uma transmissão telefônica da Somália e por meio de um intérprete, que seu filho nasceu em 1993 ¿ o que o faz ter 15 anos.

Mas um detetive policial em Nova York que foi para a África como parte de uma equipe de investigação, Frederick Galloway, disse ao juiz que Muse, após afirmar que tinha 15, disse que mentiu e se desculpou, dizendo que tinha entre 18 e 19 anos.

Ele também disse, Desculpe-me por ter mentido para vocês, declarou Galloway. Ele afirmou que quando eu rezar de novo pedirei a Alá perdão por mentir a vocês e eu não vou fazê-lo de novo.

Muse recebeu cinco acusações nesta terça, dentre as quais a mais séria foi o crime de pirataria como definida pela lei das nações, e após o juiz declarar que ele era um adulto, mandou prendê-lo sem possibilidade de fiança.

O chefe do FBI em Nova York, Joseph M. Demarest Jr., disse em um relato: Piratas dos dias de hoje sustentam uma semelhança fanfarrona com os anti-heróis de ficções populares. Ele chamou Muse e sua turma de sequestradores de embarcações, que roubaram um navio, ameaçaram a tripulação e manteve o capitão refém sob a mira de uma arma.

O governo disse que Muse foi o único sobrevivente de uma equipe de homens que abordaram o Marsk Alabama, navio cargueiro americano, na costa da Somália, em 8 de abril. A tripulação e o navio foram deixados depois que o capitão se ofereceu como refém. Por fim, ele foi resgatado quando a Força de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos mataram seus sequestradores com três tiros perfeitamente posicionados.

Muse havia se entregado antes às forças americanas para buscar tratamento para sua mão ferida. Membros da tripulação falaram sobre os tensos momentos durante os quais foram mantidos reféns, mas a divulgação da queixa criminal feita por promotores na terça-feira descreveu exatamente como Muse ficou ferido.

Durante a captura do navio, Muse estava examinando o interior da embarcação em meio à escuridão devido à falta de eletricidade. Usando um membro da tripulação como guia, ele procurava outros tripulantes para fazê-los refém. Muse disse que deixara a arma com seus compatriotas porque alguém do navio havia dito que os outros estariam muito assustados para se entregar se ele estivesse armado.

Em um corredor, um membro da tribulação escondido pulou nele e o dominou. Com a ajuda de outro integrante, os dois subjugaram Muse, amarraram suas mãos com um fio, e o levaram para uma sala segura, onde estavam outras pessoas da tripulação.

Foi aparentemente durante a luta que Muse foi golpeado e ferido, e na corte, nesta terça-feira, sua mão esquerda estava coberta por uma grossa bandagem branca.

Por BENJAMIN WEISER

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