Pintura reunificada suscita pensamentos grandiosos na China e Taiwan

Reunião de partes da clássica Morando nas Montanhas Fuchun é metáfora sobre reconciliação política entre Pequim e a ilha

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Wu Hongyu, colecionador de arte da dinastia Ming, evidentemente não gostava de compartilhar, por isso ordenou em seu leito de morte que a sua amada pintura Morando nas Montanhas Fuchun fosse queimada. Felizmente, um sobrinho tirou a pintura da pira funerária naquele dia de 1650, mas não antes das chamas dividirem o trabalho em dois.

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Visitantes do Museu do Palácio Nacional de Taipei olham pintura Morando nas Montanhas Fuchun
Desde então, as partes foram mantidas separadas por ganância, guerra civil e jogos geopolíticos. A menor parte, de apenas 50 centímetros de comprimento, foi parar em um museu provincial da China comunista. A mais imponente, com 6 metros de comprimento, foi parar em Taiwan, a ilha que abrigou os nacionalistas chineses - e grandes carregamentos de tesouros do palácio imperial de Pequim - depois que eles perderam a guerra civil, em 1949.

A reunificação da pintura no mês passado no Museu do Palácio Nacional de Taipei, capital de Taiwan, é uma metáfora feita sob encomenda para retratar a reconciliação que os líderes do Partido Comunista há muito tempo imaginaram para o que consideram uma província separatista.

"Se a pintura pode ser reunida, o nosso povo também pode", disse o primeiro-ministro Wen Jiabao da China no ano passado ao saber que tanto a China quanto Taiwan, ainda formalmente em guerra, haviam concordado na exposição conjunta da obra.

A exposição, intitulada Paisagem Reunificada, foi adicionado à lista de inovações notáveis que se seguiram às eleições de 2008 do presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, que tem buscado a aproximação com o continente.

Desde a posse de Ma, uma série de acordos avançados entre Taiwan e China levaram pandas ao zoológico de Taipei, a abertura da navegação direta, a conexão dos correios por via aérea, e um arranjo que permitiu que no ano passado 1,2 milhão de turistas da parte continental visitassem a ilha.

Na semana passada veio um outro marco: o primeiro avião cheio de turistas individuais chineses que poderão vaguear por Taiwan sem supervisão.

Laços

O maior número de laços culturais e econômicos tem agradado muitos líderes de negócios de Taiwan, mas também alimentado a ansiedade entre aqueles que veem os incentivos como uma tentativa de seduzir Taiwan para que viva em órbita econômica da cada vez mais dominadora China.

Mas, por enquanto, na maioria dos dias até 10 mil pessoas fazem fila para ver o pergaminho reunificado.

Wang Rongcui, um turista da cidade chinesa de Ordos, na Mongólia, estava entre aqueles que recentemente passaram meia hora à espera de um vislumbre da obra-prima. Questionado sobre o significado político da exposição, Wang deu de ombros. "Oh, eu não sei nada sobre política ou mesmo sobre arte, mas com certeza é uma pintura muito bonita", disse ela.

*Por Andrew Jacobs

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