Píer em Nova York é relíquia do Titanic

Hoje decadente, em 1912 porto recebeu o Carpathia, navio que resgatou sobreviventes do naufrágio

The New York Times |

Sim, respondeu a funcionária do parque quando um homem com uma câmera fotográfica perguntou se estava no lugar certo. "Este é o nosso famoso porto", disse ela.

O Píer 54, localizado a poucos metros da Rua 14, em Nova York, tem aparência decadente. Seu portão de entrada está enferrujado, uma parte do deque desabou pouco tempo atrás e o chão, rachado, foi tomado por ervas daninhas.

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Mas ele era muito diferente 100 anos atrás. Em uma noite chuvosa em abril de 1912, o Pier 54 foi o centro das atenções da cidade de Nova York e do mundo. Uma multidão de cerca de 30 mil pessoas tomou as ruas da região. Eles queriam ver as pessoas que deixavam o impressionante galpão do Píer 54, projetado pelo mesmo escritório de arquitetura por trás da estação Grand Central.

AP
Titanic deixa Southampton, na Inglaterra, a Nova York, nos EUA (10/04/2012)

Eles queriam ver os sobreviventes do desastre do Titanic.

O Píer 54 foi o local no qual o Carpathia ancorou depois de pegar cerca de 700 passageiros do Titanic que sobreviveram à tragédia.

Cem anos mais tarde, o Pier 54 faz parte do Parque do Rio Hudson. "As brocas marinhas estão comendo as estacas de madeira", disse Vivian Liao, uma porta-voz da Fundação do Rio Hudson, o grupo responsável pelo cais. Ela disse que o grupo precisa de cerca de US$ 200 milhões para uma reforma.

O Pier 54 é a única relíquia do desastre do Titanic em uma cidade marcada pelo naufrágio do navio. O Parque Straus, na Rua Broadway com a Rua 106, é uma homenagem a Isidor Straus, proprietário da Macy's, e sua esposa, Ida. Eles eram passageiros do Titanic e morreram juntos quando ela se recusou a embarcar em um bote salva-vidas sem ele.

Do outro lado da cidade fica o Memorial William T. Stead, que celebra a existência de um jornalista britânico que estava entre os passageiros do Titanic. Além disso, há dois hotéis - aquele que agora é conhecido como Hotel Jane e o Hotel Liberty.

Sobreviventes sem nenhum lugar para ficar foram levados para o primeiro, que na época era de propriedade da Sociedade Americana de Amigos dos Marinheiros. O escritor George Jean Nathan o descreveu como "o maior clube do de nômades do mundo". Ele alugava quartos para marinheiros por US$ 0,25 na época e tinha uma piscina, uma pista de boliche e uma capela.

O Hotel Liberty, conhecido em 1912 como The Strand, agora tem "belos quartos com taxas cobradas por hora", segundo uma pesquisa no Google. Seu site acrescenta: "não aceitamos reservas".

Por James Barron

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