Pesquisas para cura do câncer mostram poucos avanços

O câncer sempre foi uma prioridade de gastos. Desde os anos 1970, o Instituto Nacional do Câncer, a principal entidade de pesquisa governamental sobre a doença, gastou US$105 bilhões.

The New York Times |

Ainda assim, o índice de morte por câncer, ajustado por tamanho e idade da população, caiu apenas 5% entre 1950 e 2005. Em contraste, o índice de mortes por doenças do coração caiu 64% no mesmo período e por gripe e pneumonia, 58%.

Mesmo assim, a percepção, alimentada pela profissão médica e seus propagandistas, além de um sentimento popular, é de que o câncer pode quase sempre ser prevenido. Se isso não funcionar, geralmente ele pode ser tratado e até vencido.

A boa notícia é que muitas pessoas cujo câncer não se espalhou se recuperam bem, como no passado. Em alguns casos, como o câncer de mama precoce, remédios que surgiram na última década transformaram prognósticos bons em ótimos. E alguns cânceres raros, como a leucemia mielóide crônica, podem ser controlados durante anos com novos remédios.

Mas a dificuldade é quando o câncer se espalha. Com o câncer de mama, por exemplo, apenas 20% dos pacientes com a doença metástica (o câncer que se espalhou para além da mama) vivem cinco anos ou mais, algo que quase não mudou desde o começo da guerra contra a doença.

Quanto à prevenção, o progresso é assustadoramente lento. Apenas algumas coisas (como parar de fumar, por exemplo) fazem alguma diferença. E apesar das propagandas que dizem o contrário, estudos rigorosos sobre métodos de prevenção como dietas com alta dosagem de fibra e pouca gordura, vitaminas ou selênio, não parecem surtir efeito.

O que acontece?

O câncer é difícil de ser tratado - não se trata de uma única doença e ninguém encontrou o elo mais fraco nas células cancerígenas que levaria a uma cura.

Também existem impedimentos desnecessários. As pesquisas seguem de tendência em tendência - vírus cancerígenos, imunologia, genética. Grupos de defesa direcionam os estudos de forma que nem sempre propulsiona a ciência.

Além disso, apesar de todo dinheiro investido em pesquisas, nunca há o suficiente para um estudo inovador, do tipo que pode mudar fundamentalmente a forma como os cientistas entendem o câncer ou os médicos tratam. Tais estudos são arriscados, menos prováveis de funcionar do que os que são mais incrementais.

"Na verdade, esta é a maior ameaça", disse Dr. Robert C. Young, chanceler do Centro Fox Chase Para o Câncer na Filadélfia.. "Toda organização diz, 'Sim, nós queremos investir em pesquisas de alto risco'. E eu acho que realmente querem, mas na verdade não o fazem".

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