Pesquisadores do cérebro procuram chave para memória humana

NOVA YORK ¿ Suponhamos que cientistas pudessem apagar certas memórias ao mexer em uma simples substância no cérebro. Poderia fazer você esquecer um medo crônico, uma perda traumática ou mesmo um mau hábito.

The New York Times |

Pesquisadores no Brooklyn recentemente conseguiram feitos comparáveis, com uma simples dose de uma droga experimental em áreas do cérebro que define tipos específicos de memória, como associações emocionais, noção de espaço ou habilidades motoras.

As drogas bloqueiam a atividade da substância, a qual o cérebro aparentemente precisa para manter a maior parte das informações aprendidas ¿ e a qual, aprimorada, poderia ajudar a impedir demências e outros problemas de memória.

Até agora, a pesquisa só foi feita em animais. Mas cientistas dizem que o sistema de memória deve funcionar quase igual ao das pessoas.

A descoberta dessa molécula aparentemente importante para a memória, e suas formas potenciais de uso, é parte das conversas em volta da área que, há poucos anos, fez parece o impossível, repentinamente, possível: a neurociência, o estudo do cérebro.

Se essa molécula é tão importante quanto parece, poderemos ver as possíveis implicações, disse Dr. Todd C. Sacktor, neurocientista de 52 anos que lidera um time no Centro Médico Sulista SUNY, no Brooklyn, que demonstrou seu efeito na memória. Para traumas. Para vícios, que é um comportamento adquirido. E, por fim, para a melhora da memória e do aprendizado.

Artistas e escritores dominaram a exploração da identidade, da consciência e da memória por séculos. Mesmo que os cientistas tenham mandado o homem para a lua e para o espaço, para Saturno, e submarinos para as profundidades do oceano, o instrumento responsável para tal feito, a mente humana, permaneceu quase inteiramente misterioso como o Novo Mundo era para os exploradores do passado.

A neurociência, um campo que mal existia há uma geração, está indo adiante, atraindo bilhões de dólares em novos financiamentos e públicos para os pesquisadores. O Instituto Nacional de Saúde, no ano passado, gastou US$ 2,5 bilhões, quase 20% de seu orçamento, em projetos relacionados ao cérebro, de acordo com a Sociedade da Neurociência.

Fundações como a Wellcome Trust e a Fundação Kavli forneceram centenas de milhões a mais, estabelecendo institutos em universidades em todo o mundo, incluindo Columbia e Yale.

A corrente de dinheiro, talento e tecnologia significa que os cientistas estão finalmente encontrando respostas reais sobre o cérebro ¿ e levantando questões, tanto científicas quanto éticas, mais rapidamente do que qualquer um as possa respondê-las.

Milhões de pessoas devem estar tentadas a apagar uma memória realmente dolorosa, por exemplo ¿ mas e se perdessem outras memórias dolorosas no processo? Será que um tratamento que limpasse os vícios apenas tentaria as pessoas a experimentarem ainda mais coisas? Quando os cientistas encontram uma droga para a melhora da memória, quem deve ter acesso a ela?

As apostas, e as amplas oportunidades possíveis na ciência do cérebro, irão acelerar o passo da descoberta.

Nesse campo, nós estamos meramente nos primeiros passos da subida de uma enorme montanha, disse Dr. Eric R. Kandel, neurocientista da Columbia, e diferente de outras áreas da ciência, ainda é possível para um indivíduo ou pequeno grupo fazer contribuições importantes, sem grandes gastos ou um laboratório enorme.

Sacktor é um das centenas de pesquisadores que tentam responder a questão que tem emudecido pensadores desde o começo da investigação moderna: Como é possível que um pedaço de tecido possivelmente capta e guarda tudo, desde poemas a locais de bares escondidos a cenas distantes da infância? A idéia de que a experiência deixa alguns traços no cérebro volta ao menos na metáfora de Platão, no diálogo em sua obra Teeteto, sobre a cola de um selo; e, em 1904, o sábio alemão Richard Semon deu a esse traço fantasma um nome: o engrama (imagem que fica gravada na memória humana).

O que esse engrama poderia ser realmente?

A resposta, de acordo com pesquisas anteriores, é que as células cerebrais ativadas por uma experiência mantêm umas as outras em uma ligação biológica rápida, como um grupo de pessoas que testemunham um mesmo evento impressionante. Elas passam a mensagem umas para as outras, e rapidamente uma maior rede de células a recebem, acrescentando, aparentemente, um detalhe cada, alguma visão, um som ou cheiro. O cérebro parece reter a memória fazendo crescer linhas de comunicação mais fortes, ou mais eficientes, entre essas células.

A questão de um bilhão de dólares é: Como?

A resposta pode estar em uma substância chamada PKMzeta.


Por BENEDICT CAREY

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