Pesquisadores descobrem mal uso de aparelhos para doenças cardíacas

Um novo estudo encontrou altas taxas de morte, de estadias freqüentes no hospital e receitas de remédios fortes entre pacientes da Medicare (seguro de saúde dos EUA) que possuem sondas mecânicas na caixa toráxica para ajudar seus problemas cardíacos.

The New York Times |

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O aparelho é uma grande promessa mas está sendo usado com muita frequência em pacientes errados em hospitais errados ¿ em pessoas que estão muito doentes para ter alguma melhora e em hospitais que não tratam tantos pacientes para saber realmente a complexidade do caso ¿ os pesquisadores dizem em um artigo publicado nesta quarta-feira no The Journal of the American Medical Association.

As sondas, conhecidas por Dispositivo de Assistência Ventricular (VAD na sigla em inglês), foi introduzida em 1990 e é usada em diversos casos: para manter o paciente vivo até que ele receba um transplante de coração, para prolongar a vida e aliviar sintomas naqueles que não são candidatos para transplante e para resgatar pessoas cujo coração parou após uma cirurgia cardíaca.

Cerca de mil a 2 mil pessoas por ano recebem o VAD, cujo preço varia entre US$ 11 mil a US$ 75 mil de acordo com a complexidade.

O suporte para a doença que aparelho trata é a insuficiência cardíaca, no qual o músculo do coração fica muito danificado ou doente para bombear o sangue necessário.

A condição afeta aproximadamente 5 milhões de pessoas nos EUA e contribui com 287 mil mortes por ano. Suas causas principais incluem ataque cardíaco, pressão alta e doença na artéria coronária.

Casos

Os pesquisadores da Duke University examinaram os registros de 2.943 pacientes da Medicare que receberam o aparelho em 570 hospitais de fevereiro de 2000 a junho de 2006. Cerca de metade dessas pessoas, na faixa dos 63 anos, precisavam da sonda para tratar a insuficiência crônica do coração.

A outra metade, na faixa dos 69 anos, recebeu VADs porque seus corações pararam por causa de coronárias secundárias ou cirurgias de válvulas do coração.

Geralmente, 51,6% dos pacientes crônicos senão apenas 30,8% dos pacientes pós-cirúrgicos ainda estavam vivos um ano depois. No decorrer do estudo, a taxa de um ano de vida no grupo dos pós-cirúrgicos na verdade se tornou pior ao invés de melhorar, segundo os autores, porque as sondas devem ter sido implantadas em pessoas cada vez mais doentes. Muitos dos pacientes que fizeram a cirurgia não chegaram a sair do hospital.

Custos altos

Em ambos os grupos, entre as pessoas que tiveram alta com o VAD, cerca de metade voltaram para o hospital em menos de seis meses.

Em um ano, o pagamento médio para o plano de saúde da Medicare para pacientes crônicos que recebem as sondas é de US$ 178,714 e para os casos pós-cirúrgicos, US$ 111,769 (o grupo dos que sofreram a cirurgia tiveram menos custos porque em médias os pacientes não viveram por muito tempo).

Esses dados não incluem o pagamento de médicos ou custos com serviços de pacientes externos como fisioterapia.

Pessoas com insuficiência cardíaca estão entre as altas taxas de morte, portanto os VADs são difíceis de se avaliar, disseram os pesquisadores.

Mas até agora eles notaram que os aparelhos não atingiram os objetivos colocados em 2004 pelo Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue: 50% de sobreviventes após dois anos e um tempo mínimo no hospital.

Tecnologia

Essa tecnologia foi desenvolvida e liberada com a antecipação de que ela seria aperfeiçoada com o tempo pelos físicos que tivessem mais experiências com ela, disse um dos autores do estudo, Dr. Kevin Schulman, médico interno em um hospital e professor de medicina e administração de negócios na Duke.

Está muito claro que não foi o que aconteceu. Também percebemos que há resultados ainda piores do que a média em centros com menos volume de pacientes.

Outro autor, Dr. Adrian F. Hernandez, cardiologista da Duke, disse: Certamente há pacientes que estão melhorando bem. Temos outros exemplos, pessoas que conseguirão ver seus netos crescerem e ter uma qualidade de vida igual a que se vivia antes da insuficiência cardíaca. Ou isso pode se tornar o último suporte de vida, com os aparelhos de respiração e de diálise.

As saídas encontradas é que os médicos escolham seus pacientes com mais cuidado e tentem usar as sondas apenas naqueles com chances razoáveis de sobrevivência e de recuperação, disseram os autores.

Eles também sugeriram que, sempre que possível, os aparelhos fossem limitados aos centros de excelência: hospitais com bons registros e uma circulação fixa de casos.

Por DENISE GRADY

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