Perus selvagens incomodam moradores de região de Nova York

Sem explicação clara, pelo menos cem animais invadiram bairros de Staten Island, irritando população

The New York Times |

Michael Budano é destemido. Quando era adolescente e vivia no East Harlem, ele poliu os sapatos de mafiosos como Frank Costello e Joseph Valachi sem medo. Mas os visitantes indesejáveis que passeiam pelo seu atual bairro em Staten Island às vezes o deixam nervoso.

"Tinha um debaixo do meu carro na semana passada", disse Budano, 71, um gerente de tráfego aposentado. "Tive de persegui-lo com uma vassoura. Mas eles podem ser agressivos."

As criaturas que têm irritado Budano e muitos de seus vizinhos são perus selvagens: dezenas deles invadiram as ruas da costa oriental de Staten Island.

NYT
Perus selvagens cruzam avenida de Staten Island, região de Nova York (01/11)

Estas são calçadas urbanas de Nova York, gostam de lembrar os moradores aos visitantes, e não algum tipo de região rural. "Em Nova York você se preocupa com baratas e ratos, não com perus", disse Budano.

Uma de suas vizinhas, a cabeleireira Mary Jane Froese, 64, ficou tão nervosa com os perus que decidiu juntar provas para comprovar suas queixa. Recolheu seus excrementos e penas, colocou tudo em oito sacos de plástico e pesou na balança do banheiro. O total passou de 50 kg.

"Não é que eu não queira os perus", disse Froese. "Eu não quero essa quantidade de perus.”

Mesmo que bandos de perus sejam ocasionalmente vistos em áreas arborizadas em torno da cidade, os bairros adjacentes de Dongan Hills e South Beach marcam o único ponto onde perus selvagens têm se tornado um incômodo crescente, de acordo com a Secretaria Estadual de Conservação Ambiental. Há pelo menos 100 deles na região.

Os moradores se queixam que os perus comem seus arbustos e vegetais do jardim, assustam crianças pequenas e roubam biscoitos de suas mãos, acordam famílias antes do sol nascer e atravessam as ruas em bandos que parecem despreocupados com os motoristas impacientes.

Até agora o Estado tem tentado, sem sucesso, evitar o aumento da população com a busca de seus ninhos e ovos. Moradores foram aconselhados a assustar os perus com mangueiras de água. Nada funcionou. Um levantamento da área afetada, realizado pelo Estado em janeiro, descobriu que 61% dos entrevistados relataram ter visto perus diariamente, 57% temiam acertar um com seus carros e cerca de metade disse que tinham que limpar os excrementos dos animais.

O Estado rejeitou os esforços para transferir os animais para municípios mais rurais, onde normalmente vivem – mas onde os oficiais temem que os rebanhos de Staten Island não possam se ajustar bem após aclimatação a um habitat humano. Os perus também não podem ser caçados porque eles são protegidos por lei dentro dos limites da cidade.

Como perus selvagens chegaram a Staten Island é um assunto polêmico. Moradores muitas vezes falam de fazendas de ovelhas e vegetais que existiam na ilha há 50 anos. Mas oficiais do Estado insistem que os perus não são indígenas e que, em 2000, nove perus foram trazidos para a ilha "por um residente". Os perus, desde então, multiplicaram-se.

"Adoro os animais e não quero que eles sejam mortos sem motivo", disse Mary Jane conforme quatro perus passavam por sua calçada. "Quero que eles sejam colocados em outro lugar – no norte do Estado."

Por Joseph Berger

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