Perguntas para Mikjeil Saakashvili, um amigo americano

O presidente georgiano fala sobre o porquê de todos os candidatos se importarem em ajudar seu país, pelo que se pode culpar Putin e como o presidente Bush se sente com relação a bolinhos de carne.

The New York Times |

NYT: Você assistiu aos nossos debates presidenciais? Às vezes parece que um assunto que os candidatos concordam é sobre a necessidade de apoiar o seu país, ex-satélite soviético que recentemente tem guerreado com a Rússia.

Mikjeil Saakashvili: Fiquei pessoalmente muito surpreso que os candidatos estavam tão passionais com a Geórgia. Claro, John McCain esteve muitas vezes na Geórgia e conhece em primeira mão. Obama disse absolutamente todas as coisas certas.

NYT: Com que frequência você conversa com os candidatos no telefone?

MS: Com bastante frequência. Acho que eles são bem competentes.

NYT: Por que políticos americanos estão tão interessados na Geórgia?

MS: Primeiro de tudo, a democracia é um interesse estratégico. E segundo, há questões de energia. Se a Rússia fechar a Ásia e o mar Cáspio da Europa, os aliados europeus dos Estados Unidos ficarão totalmente dependentes do gás e da energia da Rússia.

NYT: Por que nossa amizade com você vale a pena se causa conflito entre os EUA e a Rússia?

MS: Veja, a confusão com a Rússia não está ligada com a Geórgia. Está ligada a valores. A Rússia se tornou muito autoritária. Não aceita mais discurso livre e eleições reais.

NYT: O que está acontecendo com os russos?

MS: Quanto mais inseguro se é, mais se está propenso a criar crises.

NYT: Você acha que Putin quer te matar?

MS: Bem, me matar não faz sentido porque a Geórgia já tem uma classe política educada pelo ocidente.

NYT: Os russos fizeram alguma ameaça contra a sua vida?

MS: O presidente Medvedev me chamou de cadáver político publicamente algumas vezes. Putin disse a alguns líderes ocidentais, Quero a cabeça de Saakashvili. Se querem a minha cabeça, para mim é mais divertido do que problemático.

NYT: Você tem ligações com a CIA?

MS: Não. Falei para o presidente Bush dois anos atrás que estou cansado e nervoso de tentar convencer o Putin de que não sou um agente da CIA. Eu disse: Senhor presidente, você pode dizer para ele que EU SOU um agente da CIA? Talvez ele me leve mais a sério.

NYT: Com relação ao seu correto discurso sobre a democracia, em novembro do ano passado você fechou uma estação de televisão opositora em Tbilisi.

MS: A interferência com a Imedi TV foi uma exceção, não uma regra. Essa ação foi tomada durante rebeliões em massa quando a Imedi TV começou a incitar a queda do governo eleito democraticamente. Deve ser notado que o governo pagou os danos.

NYT: Você estudou direito em Columbia e chegou ao poder por meio da pacífica Revolução das Rosas em 2003. Que tipo de salário você ganha?

MS: Quando me tornei presidente da Geórgia, eles me trouxeram dinheiro, e eu disse, O que é isso? Eles falaram, É o seu pagamento mensal. Eram nem bem 40 dólares. Eu falei: Bem, me desculpe, não posso sobreviver com isso. Dê-me um salário.

NYT: Recebeu um aumento?

MS: Chegou a 6 mil dólares por mês, mais todas as despesas. Ainda somos um país pobre.

NYT: Como você descreveria a Geórgia no geral?

MS: É espontânea, tem mente aberta, é um pouco caótica. Tem a ver com vinhos e paisagens bonitas. Tem a ver com comida boa.

NYT: Que tipo de comida boa?

MS: Como khinkali. É uma empanada grande ¿ com suco e carne dentro.

NYT: Parece gordurosa

MS: Bem, precisa ser um pouco gordurosa. O presidente Bush adora. Toda vez que ligo, ele diz, Ainda estou na bicicleta tentando perder os que ganhei em Tbisili.

NYT: Você acha que a Geórgia será aceita na OTAN em dezembro, quando a próxima votação ocorrerá?

MS: É a pergunta de 100 milhões de dólares. O senador Obama me confirmou que devemos ter um plano de ação de parceria da OTAN. Se vamos conseguir, vejamos.

NYT: O que você acha da Sarah Palin?

MS: Quando ela foi indicada, ela me ligou. Ela estava animada, estava interativa, estava envolvida.

NYT: Ela pode ver a Geórgia da varanda dela?

MS: Não, estamos olhando em direções diferentes. Com os binóculos mais potentes, não consigo ver o Alasca.

* Entrevista conduzida, condensada e editada por Deborah Solomon, escritora contribuinte para a The New York Times Magazine.

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