Perfil econômico de consumidores chineses pode não ajudar o país

PEQUIM - Dang Fu ainda não sabe, mas ele foi apontado para salvar a economia chinesa.

The New York Times |

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Fazendeiro de rosto rude do noroeste da China, Dang, 56, conseguiu economizar dois terços da renda anual de US$2.200 de sua família. Ele cultiva grande parte de sua comida e compra coisas desnecessárias apenas quando as reclamações de sua mulher se tornam intoleráveis.

A única compra imprevista do ano passado, uma televisão nova de 25 polegadas, ainda causa uma careta. "Foi doloroso gastar tanto dinheiro", ele disse.

Mas tamanha economia, antes uma qualidade admirada por aqui, se tornou um risco conforme a economia do país desacelera, uma perspectiva que alimenta o temor do governo de maior desemprego e instabilidade social.

O crescimento nas exportações, um dos principais fatores da expansão chinesa na última década, retrocedeu e deve diminuir o crescimento geral no próximo ano, de acordo com o Banco Mundial. O mercado de ações está em dificuldades e o valor das propriedades na maioria das cidades caiu entre 30% e 40%.


Analistas do governo chinês estão de olho nos consumidores internos na medida em que as exportações do país diminuem / NYT

O crescimento anual da China, que esteve em 12% durante a Olimpíada, já caiu 9%, um bom número de acordo com os padrões americanos, mas perto demais dos 8% que os economistas chineses dizem será necessário para oferecer empregos às 20 milhões de pessoas que chegam ao mercado de trabalho todos os anos. Na segunda-feira, a J.P. Morgan cortou sua previsão de crescimento quadrimestral da China para 7,7%, e outros analistas preveem que o número possa chegar a 5% no próximo ano.

"Se podemos gerar confiança nos consumidores e fazer com que gastem mais então podemos ajudar a economia da China a se estabilizar", disse Zhu Guangyao, assistente do ministro da finanças do país.

Mas fazer com que as pessoas gastem mais, especialmente diante de um desaceleramento da economia, pode ser uma tarefa difícil. Os gastos dos consumidores representam 35% do PIB da China, enquanto nos Estados Unidos este setor é responsável por mais de dois terços da economia.


Gastos dos consumidores representam 35% do PIB da China; nos anos 1980, representavam 50% / NYT

Dang e sua mulher, Zhang Fengxia, 52, representam a salvação da economia para os chineses. Mas mantém valores típicos que não ajudam. Eles não usam bancos ("melhor manter o dinheiro em casa", disse Zhang) e o maior gasto do casal foi um trator usado que compraram por US$1.200 há alguns anos. Todo o resto é poupado para sua aposentadoria e possíveis gastos médicos.

Zhang balançou a cabeça quando questionada sobre a possibilidade de comprar qualquer coisa com crédito. "O que é um cartão de crédito?", ela perguntou. "Nós só queremos ter certeza que podermos comprar comida".

Por ANDREW JACOBS

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