Quase todas as 28.000 espécies de vertebrados de quatro pernas têm expectativa de vida maior que um ano. Assim, a descoberta de um camaleão em Madagascar que vive apenas quatro ou cinco meses é incomum.

Mas como Christopher J. Raxworthy do Museu Americano de História Natural, Kristopher B. Karsten da Universidade Estadual do Oklahoma e colegas relatam em Os Procedimentos da Academia Nacional de Ciências (The Proceedings of the National Academy of Sciences), o que torna o camaleão, Furcifer labordi, ainda mais estranho é que ele passa mais tempo dentro do ovo ¿ por volta de oito meses. Isso torna seu ciclo de vida mais inseto do que animal.

Como a maioria dos camaleões do deserto, os adultos tornam-se escassos na estação seca e então reaparecem juntamente a filhotes recentemente chocados quando chega a chuva. Mas Karsten, que esteve observando o F. labordi, ficou esperando pacientemente pela chegada dos adultos, e eles não vieram, diz Raxworthy. Os filhotes, entretanto, estavam numa pista de corrida: crescendo ao tamanho adulto em dois meses, se reproduzindo aos quatro e morrendo ao final da curta estação chuvosa. A sobrevivência da espécie era então dependente de seus ovos enterrados. Raxworthy diz que, com aproximadamente três polegadas, F. labordi é o menor camaleão da região e pode ser menos apto a competir por comida ou mais propenso à dessecação na estação seca.

O melhor pagamento pode ser produzir ninhos maiores e mais proles, em vez de conservar reservas e tentar atravessar a estação seca como um adulto, diz ele. Qualquer que seja a causa para a evolução de tal ciclo de vida, o F. labordi pode ser muito útil para termos mais percepções sobre o envelhecimento e a morte de células.

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